
La Paz, 10 jul 2026 (Lusa) – O Ministério Público (MP) da BolÃvia solicitou à Espanha e ao Peru informações sobre o caso que envolve o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero, numa investigação sobre corrupção, informou o procurador-geral, Roger Mariaca.
Numa conferência de imprensa realizada na quinta-feira, Mariaca explicou que o Ministério Público boliviano enviou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da BolÃvia “dois pedidos de cooperação jurÃdica internacional em matéria penal” dirigidos à Espanha e ao Peru, relacionados com a atuação de RodrÃguez Zapatero no paÃs.
O procurador-geral referiu que foi solicitada à Espanha “documentação” e ao Peru informações relativas à alegada participação de Zapatero num esquema tráfico de influências em benefÃcio do grupo peruano Gloria, e que os resultados serão partilhados assim que as respostas forem recebidas.
Mariaca salientou que o pedido de informações a ambos os paÃses segue uma via “totalmente distinta” da investigação penal que, há alguns dias, foi aberta pelo Ministério Público Departamental da região sul de Chuquisaca neste caso, com o objetivo de apurar se houve abuso de influência e outros crimes.
No final de junho, foi divulgado um relatório da Unidade de Crimes Económicos e Financeiros (UDEF) da PolÃcia Nacional de Espanha, que sustenta que RodrÃguez Zapatero participou numa “dinâmica de intermediação e influências” com autoridades da BolÃvia, com o objetivo de “beneficiar os interesses” do Grupo Gloria, “mediante uma contrapartida económica de 200.000 euros”.
O relatório inclui conversas na rede WhatsApp entre Zapatero e a secretária, Gertrudis Alcázar, bem como várias agendas do ex-chefe do Governo espanhol, que serviram para sustentar a última acusação do caso Plus Ultra, no qual está a ser investigado pelo possÃvel recebimento de comissões pela sua influência no resgate dessa companhia aérea.
No relatório, aparecem figuras de destaque do Governo da BolÃvia entre 2020 e 2025, incluindo o ex-presidente Luis Arce (2020-2025) e três dos seus ministros, entre outros.
O caso na BolÃvia relaciona-se com a Sociedad Boliviana de Cemento (Soboce), envolvida numa disputa judicial, desde 2010, com a empresa estatal Fábrica Nacional de Cementos (Fancesa) pela posse de ações que permitiriam à primeira empresa expandir fábricas regionais, o que foi denunciado pela segunda como um caso de alegada concorrência desleal.
Desde 2014, o caso envolveu também o grupo peruano Gloria, atual acionista maioritário da Soboce, que reclama uma indemnização pela reversão dessas ações e mantém litÃgios contra o Estado boliviano.
O ex-presidente Arce, que se encontra em prisão preventiva desde dezembro de 2025 por um caso de alegada corrupção, negou estar envolvido “em qualquer caso de tráfico de influências” a favor da Soboce.
Recentemente, após a divulgação do relatório da UDEF, o Supremo Tribunal de Justiça da BolÃvia (TSJ) confirmou uma sentença de 2025 que obriga a Soboce a pagar à Fancesa uma indemnização de mais de 74,4 milhões de dólares (65 milhões de euros).
Na semana passada, o Grupo Gloria admitiu ter pago 200.000 euros a RodrÃguez Zapatero para que este intercedesse junto das autoridades da BolÃvia relativamente à indemnização a pagar à Soboce, e defendeu a sua contratação, negando que tivesse fins ilÃcitos ou que constituÃsse uma interferência na justiça boliviana.
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