Moscovo reconhece que toda a Rússia pode ser alvo de drones ucranianos

Moscovo, 17 mar 2026 (Lusa) — O secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, reconheceu hoje que nenhuma parte da Rússia está livre de ser alvo dos drones ucranianos, dado o desenvolvimento dos equipamentos e os métodos de Kiev.

Shoigu deu como exemplo a região dos Urais, que “até há pouco tempo” era um dos locais fora do alcance dos ataques aéreos da Ucrânia.

A região encontra-se agora “na zona de ameaça imediata”, afirmou Shoigu numa reunião do Conselho de Segurança em Ecaterimburgo, a principal cidade dos Urais e uma das maiores da Rússia, citado pela agência de notícias russa Interfax.

Com cerca de 1,4 milhões de habitantes, Ecaterimburgo situa-se a quase 1.700 quilómetros a leste da capital russa, Moscovo, e é o principal centro industrial do distrito federal dos Urais.

A Ucrânia tem efetuado ataques a grande distância da fronteira com a Rússia em operações que implicam o transporte de armamento desmontado para ser ativado em zonas mais próximas dos alvos.

Shoigu advertiu que os ataques nos Urais, uma região que aglutina seis entidades subnacionais, podem causar “importantes danos económicos”.

Podem também perturbar o funcionamento de grandes áreas metropolitanas e interromper cadeias de abastecimento, incluindo as que considerou fundamentais para a continuação da guerra na Ucrânia, que a Rússia invadiu em fevereiro de 2022.

“Este é o potencial industrial e de defesa da região, que é um dos principais centros industriais do nosso país”, disse o ex-ministro da Defesa.

Shoigu referiu que se concentram na região empresas estratégicas da indústria de defesa, instalações energéticas e químicas, e as principais jazidas de petróleo e gás.

“Tudo o que constitui a base da segurança económica e a capacidade de defesa do Estado”, afirmou.

O Ministério da Defesa da Rússia informou hoje que foram intercetados cerca de 200 drones ucranianos nas últimas 24 horas, grande parte dos quais sobre a região de Moscovo.

Após mais de quatro anos de guerra a defender-se da Rússia, a Ucrânia desenvolveu capacidades de produção e de defesa de aeronaves não tripuladas, um tipo de armamento que tem ganhado relevância em conflitos recentes.

A experiência particular com drones iranianos levou ao envio recente de técnicos ucranianos para países do Golfo Pérsico para ajudar a fazer frente aos ataques do Irão de retaliação pela ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica.

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