
Maputo, 04 set 2025 (Lusa) – O bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique disse hoje que a morte de uma criança a tiro e linchamento de um polÃcia em Maputo são “resquÃcios” das manifestações pós-eleitorais, considerando a situação de direitos humanos complicada no paÃs.
“O nosso posicionamento para a situação de Bobole é que a nossa nação ainda não serenou. Portanto, ainda vivemos resquÃcios do processo eleitoral”, disse Carlos Martins, referindo que existem indicações “muito claras” de que o paÃs precisa de pacificação para o desenvolvimento.Â
Em declarações aos jornalistas, à margem de um evento público em Maputo, o bastonário classificou como complicada a situação dos direitos humanos no paÃs, criticando a atuação da polÃcia e dos populares, além de sugerir uma investigação para apurar responsabilidades.
“Naturalmente, para a morte da criança está claro que houve um disparo efetuado pela polÃcia, é mais claro. Relativamente à população, é muito mais complicado [apurar a responsabilização], porque são pessoas indetermináveis. Portanto, só uma investigação é que poderá apurar. Mas, claramente que a Ordem dos Advogados não é a favor de justiça pelas próprias mãos”, disse Carlos Martins.
Em causa estão quatro agentes da polÃcia moçambicana que alegadamente mataram, na segunda-feira, a tiro, uma criança de 12 anos, em Bobole, provÃncia de Maputo, sul do paÃs, durante uma perseguição, usando um carro particular, à viatura em que o menor seguia com os seus pais para a provÃncia de Manica, no centro de Moçambique, provocando assim revolta popular que culminou com linchamento de um agente da PolÃcia da República de Moçambique (PRM).
A polÃcia moçambicana avançou na segunda-feira que foi instaurado um processo disciplinar contra os agentes “com vista à sua expulsão”, enquanto decorrem outras diligências para a responsabilização criminal dos polÃcias envolvidos no baleamento mortal da criança.
O Comando-Geral da PRM lamentou as mortes da criança e do agente da corporação e pediu que a sociedade moçambicana não se paute pela justiça “pelas próprias mãos, independentemente das circunstâncias”.
 O ministro da Justiça moçambicano admitiu quarta-feira a possibilidade de ter havido excesso de zelo ou desvio de comportamento na operação policial, garantido a responsabilização dos envolvidos.
Também a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) moçambicana disse quarta-feira que a morte a tiro de uma criança por polÃcias demonstra uma grave violação dos direitos fundamentais e humanos, condenando também a morte de um dos agentes envolvidos.
Moçambique viveu desde as eleições de 09 de outubro de 2024 um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais que deram vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, no poder, e empossado como quinto Presidente do paÃs.
Cerca de 400 pessoas morreram em resultado de confrontos com a polÃcia, conflitos que cessaram após encontros entre Mondlane e Chapo em 23 de março e em 20 de maio, com vista à pacificação do paÃs.
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