
Maputo, 10 jul 2024 (Lusa) – O número de crianças moçambicanas que morrem antes de completar 5 anos caiu para menos de metade em 20 anos, para 60 por 1.000 nascidos vivos, segundo dados do Instituto Nacional de EstatÃsticas (INE) a que a Lusa teve hoje acesso.Â
Segundo o Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) 2022-2023 do INE, os dados referem-se ao perÃodo dos últimos cinco anos, tendo a taxa de mortalidade de menores de 5 anos diminuÃdo de 201 para 60 por cada mil nascidos vivos, comparando o IDS de 1997 com o atual.
No inquérito, que abrangeu 14.250 agregados familiares, afirma-se que “o declÃnio mais notável registou-se na mortalidade infanto-juvenil”, que diminui de 201 mortes por 1.000 nascidos vivos no perÃodo de cinco anos anteriores ao IDS de 1997, para 60 mortes nos cinco anos anteriores ao IDS de 2022–2023.
No estudo indica-se que, no perÃodo em referência, a taxa de mortalidade infanto-juvenil (entre o nascimento e o quinto aniversário) foi mais elevada na área rural (63 mortos) do que na urbana (50).
No documento aponta-se como uma das principais causas os curtos intervalos entre os nascimentos que “estão associados a taxas de mortalidade elevadas”.
“A taxa de mortalidade infanto-juvenil das crianças nascidas menos de dois anos após o nascimento anterior é mais de duas vezes superior à das crianças nascidas três ou mais anos após o nascimento anterior”, refere-se.
Segundo o inquérito, a provÃncia de Cabo Delgado (89) tem os Ãndices mais elevados de mortalidade de menores até aos 5 anos, enquanto Tete (30) apresenta taxas baixas.
Entre as provÃncias com taxas de mortalidade mais altas seguem-se a de Gaza (75), Sofala (73), Nampula (72), Manica (71), Niassa (68) e a cidade de Maputo (59).
No estudo do INE também se afirma que “a sobrevivência dos bebés e das crianças depende, em parte, das caracterÃsticas demográficas e biológicas das respetivas mães”.
Acrescenta-se que “a probabilidade de morte na infância é muito maior entre as crianças de mães adolescentes (com menos de 18 anos) ou mães de idade mais avançada (com mais de 34 anos), entre as crianças nascidas após um curto intervalo entre os partos (menos de 24 meses após o parto anterior) e entre as crianças de mães com elevada parturição (mais de três filhos)”.Â
Relativamente à natalidade, no estudo destaca-se que, em média, as mulheres das zonas rurais têm 5,8 filhos, mais 2,2 quando comparadas com as das zonas urbanas, acrescentando-se que as provÃncias do norte de Moçambique apresentam nÃveis mais elevados de fecundidade em comparação com a região sul.
No global, a taxa de fecundidade em Moçambique é de 4,9 filhos por mulher, conclui-se no documento, que especifica que há 158 nascimentos num universo de 1.000 mulheres com idades entre 15 e 19 anos, 224 nascimentos nas idades entre 20 e 24, números que baixam para 36 crianças nascidas entre 45 e 49 anos.
“As provÃncias do norte do paÃs apresentam os nÃveis mais elevados de fecundidade, onde se destaca Niassa, com 6,8 filhos por mulher. As provÃncias do sul apresentam os nÃveis mais baixos, destacando-se a cidade de Maputo, com 2,1 filhos por mulher”, lê-se.
No que diz respeito à gravidez na adolescência, no inquérito indica-se que pelo menos 36% das mulheres com idades entre 15 e 19 anos já engravidaram pelo menos uma vez, destacando-se que 29% das mulheres acima dessa idade já tiveram um nascido vivo, 3% já tiveram uma gravidez que terminou em perda e 8% encontravam-se grávidas à data da realização do inquérito.Â
Segundo o estudo, os nÃveis mais elevados de gravidez na adolescência verificam-se nas provÃncias de Cabo Delgado (55%) e Niassa (52%), contrariamente à cidade de Maputo (12%) e a provÃncia de Maputo (18%), que apresentam os nÃveis mais baixos.
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