
Roma, 22 ago 2023 (Lusa) — Mais de 2.000 migrantes terão morrido na rota do Mediterrâneo Central desde o inÃcio do ano, indicou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM), receando, no entanto, que o número real de vÃtimas seja muito superior.
A rota do Mediterrâneo Central, considerada como uma das mais mortÃferas, sai da Argélia, TunÃsia e LÃbia em direção à Europa, nomeadamente para as costas italianas e maltesas.
“Até à data, 2.013 migrantes morreram no Mediterrâneo Central em 2023, segundo dados atualizados da OIM”, revelou o porta-voz desta organização do sistema das Nações Unidas, Flavio di Giacomo, numa mensagem publicada na rede social X (antigo Twitter).
O porta-voz admitiu que este número é “uma estimativa revista em baixa”.
“As frágeis embarcações que zarpam da TunÃsia provocaram provavelmente muitos naufrágios que não são conhecidos”, afirmou.
À agência noticiosa espanhola EFE, o porta-voz da OIM esclareceu que as 2.013 mortes confirmadas pela organização são apenas referentes à rota migratória do Mediterrâneo Central, onde 974 pessoas morreram no mesmo perÃodo em 2022.
Para toda a zona do Mediterrâneo (que engloba outras duas rotas migratórias), o número oficial de vÃtimas é de 2.265. O Mediterrâneo Oriental (da Turquia para a Grécia) e o Mediterrâneo Ocidental (de Marrocos para Espanha) são as outras rotas migratórias da região.
De acordo com os últimos dados oficiais do Governo de Itália, mais de 100 mil migrantes chegaram ao paÃs desde o inÃcio do ano, um aumento de mais de 115% em relação ao mesmo perÃodo de 2022, muito impulsionado pela crise polÃtica, económica e social na TunÃsia, de onde fogem milhares de migrantes subsarianos, situação que levou o executivo italiano a declarar o “estado de emergência migratória” em maio passado.
“Não existe uma emergência numérica, mas sim uma emergência humanitária”, afirmou o porta-voz da OIM, insistindo que o número real de mortos no Mediterrâneo inclui “muitas, muitas, muitas centenas [pessoas] mais”.
Até segunda-feira, e desde o inÃcio do ano, 105.449 migrantes chegaram à s costas italianas, um número bastante mais expressivo quando comparado com os 50.759 registados no mesmo perÃodo de 2022.
Atualmente, a TunÃsia substituiu a LÃbia como principal paÃs de partida em direção a Itália, verificando-se também um aumento nos repatriamentos (28,05%) e nos pedidos de asilo (70,59%), dos quais um em cada dois é rejeitado.
Este número recorde de desembarques de migrantes irregulares coincide com a adoção de uma polÃtica migratória mais estrita por parte do Governo italiano, uma coligação de direita e extrema-direita liderada por Giorgia Meloni que chegou ao poder em outubro do ano passado.
Nos últimos dias, a polÃtica migratória do executivo de Meloni tem suscitado duras crÃticas por parte dos autarcas italianos, que têm avisado que a capacidade de acolhimento das cidades está à beira do colapso face ao número de chegadas e à falta de recursos.
As crÃticas dos presidentes de câmara estão a ser desvalorizadas pelo Governo, com fontes do Ministério do Interior a considerarem que as queixas, que classificam de “surreais”, são motivadas por questões polÃticas, mas a associação de municÃpios italianos (ANCI) argumentou que “todos os autarcas estão a protestar, não apenas os do Partido Democrático” (PD), principal partido da oposição (centro-esquerda).
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