
Washington, 15 jun 2025 (Lusa) – O luso-norte-americano Frank Ferreira acusou o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump de tentar normalizar a militarização de Washington, com cada vez mais “gradeamentos e forças de segurança na cidade”, ao mesmo tempo que um grande desfile militar atravessava o centro da capital.
Ferreira – que vive nos arredores de Washington – garantiu à Lusa no sábado que esse seu sentimento é partilhado por outros moradores da capital, que começam a habituar-se à s medidas de segurança que limitam uma plena deslocação pela cidade.
“Já estamos a ficar muito acostumados a ver gradeamentos, que é uma coisa que não existia antes. Por exemplo, não nos podemos aproximar normalmente da Casa Branca. Duas ruas antes já está tudo fechado”, disse o luso-americano, que é candidato ao 8.º Distrito Congressional da VirgÃnia e conselheiro das comunidades portuguesas pelo cÃrculo de Washington.
“Ver aqui as tropas, com os canhões, com os aviões… é uma coisa que este Governo está a tentar normalizar. E isto não é nada normal de se ver neste paÃs, além dos dias em que há realmente emergências. Portanto, sim, estamos a ficar mais acostumado a ver as tropas como uma coisa normal. E nada disto é normal numa democracia”, advogou.
O conselheiro acusou ainda Trump de usar o exército para fins polÃticos, dando como exemplo o que está a acontecer em Los Angeles (sudoeste), onde o Presidente destacou a Guarda Nacional para conter manifestações contra a polÃtica migratória, apesar da oposição das autoridades locais.
Enquanto Frank Ferreira falava com a Lusa no National Mall, no centro de Washington, a poucos metros decorria um grande desfile militar encomendado por Trump para comemorar os 250 anos do Exército.
O desfile coincidiu com o 79.º aniversário do próprio chefe de Estado, mas as maiores crÃticas foram para o custo do evento, estimado em até 45 milhões de dólares (39,4 milhões de euros).
“Estamos a usar e a gastar quase 50 milhões de dólares para o Presidente festejar os anos dele. É uma coisa que não cai muito bem a muitas pessoas, especialmente a mim”, admitiu Ferreira.
“Trump gosta muito de usar o dinheiro do povo, em vez de usar o seu próprio dinheiro, para ter estas grandes festas. (…) Acho que podÃamos usar este dinheiro para outros fins. Há pessoas aqui, mesmo nesta cidade, que estão a morrer de fome, que vivem na rua e não têm dinheiro sequer para o jantar”, acrescentou.
O luso-americano criticou ainda o facto de Trump enaltecer publicamente os militares, enquanto, por outro lado, “está a cortar muitos dos programas para ajudar os veteranos”.
O evento militar atraiu milhares de pessoas, vindas de vários estados do paÃs, que rumaram a Washington. As estimativas apontavam para cerca de 200 mil visitantes, mas a afluência aparentava ter ficado aquém das expectativas.
No público viam-se pessoas vestidas com as cores da bandeira dos Estados Unidos ou a exibir ‘slogans’ e frases de apoio a Trump.
Tradicionalmente, os desfiles militares nos Estados Unidos eram realizados para assinalar o fim de uma guerra e dar as boas-vindas aos que lutaram. O último grande desfile militar em Washington DC foi em 1991 e marcou o fim da Guerra do Golfo.
Desde que anunciou a realização do desfile, Trump foi acusado de agir como os lÃderes autoritários com os quais o Presidente afirma ter afinidade, como Vladimir Putin, da Rússia, Xi Jinping, da China, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte.
“Todos os outros paÃses celebram as suas vitórias. Já era tempo de os Estados Unidos também celebrarem”, declarou Trump, num breve discurso após o desfile.
O Presidente classificou ainda o Exército como “a maior, mais temida e mais corajosa força que já pisou a face da Terra”.
O desfile foi apresentado num tom educativo e através de uma perspetiva histórica e terminou com uma grande sessão de fogo de artifÃcio, que iluminou os céus da capital.
Tudo isto aconteceu enquanto milhares de pessoas em mais de 1.500 cidades do paÃs saÃram à s ruas em protesto contra o Governo.
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