
Londres, 21 out 2022 (Lusa) – A agência de notação financeira Moody’s reviu a previsão da dÃvida pública de Angola face ao Produto Interno Bruto (PIB), para 51% este ano, com a economia a crescer 3% e a acelerar para 4,2%, em média, até 2026.
No relatório que acompanha a decisão de melhorar a perspetiva de evolução da economia, de estável para positiva, a Moody’s diz que a economia deverá registar um crescimento de 3% este ano, em linha com as previsões do Governo e do Fundo Monetário Internacional, e acelerar para uma média de 4,2% nos próximos três anos, a melhor média desde a crise petrolÃfera de 2014.
“Todas as métricas orçamentais, incluindo o rácio da dÃvida face à receita e o do pagamento de juros face à receita, também melhoraram, devendo chegar a 225% e 14,9%, respetivamente, em 2022, o que compara com 586% e 32,6% em 2020”, escrevem os analistas na nota, na qual mantêm o ‘rating’ do paÃs em B3.
A Moody’s alterou a perspetiva de evolução do ‘rating’ de Angola “devido à melhoria das métricas orçamentais e da dÃvida, sustentadas nos elevados preços do petróleo e na consolidação orçamental em curso”.
Para os analistas, mesmo que os preços do petróleo desçam face aos nÃveis atuais acima de 90 dólares por barril, “a estabilidade macroeconómica de Angola deverá ser sustentada na robusta previsão de crescimento e na inflação em queda”, que deverá cair para 14% no próximo ano e chegar a um dÃgito em 2025, face aos nÃveis de 27% em 2020 e 17% este ano.
A segunda grande razão para a mudança na perspetiva de evolução é a contÃnua melhoria na posição externa do paÃs e a redução dos riscos de liquidez, “com os preços elevados do petróleo a serem uma oportunidade para as autoridades fortalecerem as reservas internacionais e moeda externa e continuarem a implementar a sua polÃtica de redução do volume de dÃvida”.
As reservas, conclui a Moody’s, podem subir de 16 mil milhões de dólares em 2021 para 22 mil milhões em 2025.
A Moody’s melhorou na quinta-feira à noite a perspetiva de evolução do ‘rating’ de Angola, de estável para positiva, mantendo a avaliação sobre a qualidade do crédito em B3, abaixo da recomendação de investimento.
A análise da perspetiva de evolução da economia angolana não é, no entanto, suficiente para que a Moody’s tenha melhorado o ‘rating’, que se mantém em B3, ou seja, abaixo da recomendação de investimento, ou ‘lixo’, como é geralmente conhecido.
“A decisão de afirmar o ‘rating’ em B3 reflete a visão da Moody’s de que, apesar da contÃnua melhoria nas posições orçamentais e da balança corrente, o perfil de crédito de Angola continua constrangido pela vulnerabilidade a choques petrolÃferos devido à sua rÃgida estrutura económica e à fraca capacidade institucional”, escrevem os analistas, reconhecendo que “a continuidade das polÃticas e a agenda das reformas do novo governo vão naturalmente demorar tempo a reduzir as vulnerabilidades estruturais de Angola”.
A alteração da perspetiva de evolução do ‘rating’ indica que os analistas consideram que, a manter-se a trajetória atual, Angola verá a opinião da Moody’s sobre a qualidade do crédito soberano melhorada num prazo que normalmente não excede os 12 meses.
A última vez que a Moody’s tinha melhorado o ‘rating’ de Angola foi em setembro do ano passado, quando a avaliação da qualidade do crédito soberano passou de Caa1 para B3, o que aconteceu depois de quatro descidas consecutivas, em 2016, 2017, 2018 e 2020.
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