
Bruxelas, 19 fev 2026 (Lusa) — A eurodeputada do PS Marta Temido afirmou hoje que Montenegro quer tornar-se no 28.º Estado-membro da UE em 2028, pedindo ao bloco que não descarte a oportunidade se o país cumprir os critérios.
Marta Temido falava à Lusa depois de ter participado numa missão do Parlamento Europeu, composta por nove eurodeputados, a Montenegro e à Albânia, para avaliar o estado em que está o processo de adesão dos dois países à UE.
Entre segunda e quarta-feira, em visitas a Podgorica e Tirana, os eurodeputados encontraram-se com o Presidente de Montenegro, Jakov Milatovic, e o primeiro-ministro, Milojko Spajic, assim como com o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, e partidos políticos e membros da sociedade civil dos dois países.
À Lusa, a eurodeputada do Partido Socialista (PS) sublinhou que os dois países parecem estar “na linha da frente” entre os candidatos à adesão à UE, mas o Montenegro aparenta estar “mais evoluído nos processos de transformação”.
“Montenegro, neste momento, tem um lema, que foi repetido por várias das autoridades nacionais com quem tivemos oportunidade de estar. A ideia clara é: Montenegro vai ser o 28.º Estado da União Europeia em 2028”, referiu.
Aparecer de se tratar de um “calendário ambicioso”, Marta Temido destacou que “o país entende que irá conseguir cumprir” as reformas nos 33 capítulos necessários para poder aderir à UE até essa data.
A eurodeputada referiu que Montenegro já ‘fechou’ 13 capítulos e tem outros 20 em discussão e observou que as áreas onde há “maiores fragilidades” são a nível da reforma judicial e também da economia verde e sustentabilidade ambiental.
“Mas [o país] está claramente a fazer um esforço para introduzir as alterações legislativas e práticas que precisa de fazer para poder avançar e, este ano, ter todas as áreas de discussão concluídas”, disse.
Questionada se essa meta de aderir à UE em 2028 lhe parece ambiciosa, Marta Temido disse não saber se essa adesão pode acontecer já em 2028, salientando que o país precisa de cumprir os critérios, mas defendeu que o bloco não pode perder a oportunidade de deixar entrar novos países, por ser uma questão de “segurança geopolítica”.
“Se essa realidade não se concretizar, temo que se coloquem sob influência de outros grandes blocos, designadamente a Rússia. É uma possibilidade. Penso que a UE, desde que os critérios estejam cumpridos, não pode perder a oportunidade de fazer esta integração”, sustentou.
No que se refere à Albânia, Marta Temidos salientou que o país “está numa fase mais atrasada”, uma vez que ainda não concluiu nenhum dos 33 capítulos e tem “ainda problemas complicados ao nível do seu sistema judicial”, “é um país com níveis de corrupção muito significativos” e tem “um ambiente político muito polarizado”.
“Portanto, está ainda numa outra fase, mas considera também que o seu futuro é um futuro europeu, o que é para nós muito importante nesta fase em que a UE se encontra”, referiu, saudando os passos que a Albânia tem “dado para cumprir os critérios de Copenhaga”.
Interrogada se não há alguma desilusão quanto à demora no processo de adesão à UE — Montenegro recebeu o estatuto de candidato em 2010 e a Albânia em 2014 –, Marta Temido referiu que as populações dos dois países manifestam na maioria vontade de pertencer ao bloco: segundo estudos de opinião, cerca de 80% dos albaneses têm essa ambição, taxa que ronda os 60% no Montenegro.
“E há uma coisa que nós não podemos esquecer: entre os atuais Estados-membros, exceto os seis países fundadores [da UE], os restantes 21 já estiveram em situação de não serem Estados-membros e, portanto, não se pode deixar de ter respeito pelas expectativas dos outros”, defendeu.
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