
Lisboa, 04 dez 2023 (Lusa) – O presidente do PSD afirmou hoje que ainda precisa de mais dados para avaliar se a decisão sobre a alta velocidade entre Lisboa e Porto “tem mesmo de ser tomada em janeiro”, sob pena de se perder financiamento comunitário.
“Se esse risco não existir é de bom-tom que a decisão seja remetida para o próximo Governo que estará na plenitude de toda a sua margem de decisão”, afirmou LuÃs Montenegro, questionado pelos jornalistas à entrada da missa pelo 43.º aniversário da morte do fundador do PSD, Francisco Sá Carneiro, na BasÃlica da Estrela, em Lisboa.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou a intenção de lançar o primeiro concurso para a construção da linha de alta velocidade entre Lisboa e Porto em janeiro se houver acordo do lÃder do PSD.
“Em janeiro, tudo estará pronto para poder lançar o concurso, mas tendo em conta a atual situação polÃtica, o concurso só será lançado se o futuro lÃder do PS e o atual lÃder do PSD derem luz verde”, disse António Costa.
Questionado sobre a sua disponibilidade para este entendimento, Montenegro assegurou que “o PSD está disponÃvel para avaliar todas as circunstâncias que rodeiam a tomada de decisões numa altura em que o Governo se prepara para ficar em gestão”.
“Mas para isso é preciso que haja todos os dados disponÃveis e neste momento ainda não tenho na minha posse a informação necessária para poder concluir que a decisão tem mesmo de ser tomada em janeiro sob pena de perdermos financiamento comunitário associada a essa obra”, disse.
“Vou aguardar que nos sejam transmitidos todos esses elementos”, disse, assegurando não ter, para já, qualquer conversa agendada com o primeiro-ministro.
O presidente do PSD disse que o partido tem disponibilidade “para não atrasar aquilo que não é bom para o paÃs ser atrasado, mas também para não precipitar aquilo pelo que o paÃs possa esperar para tomar decisões boas e conscientes”.
“O paÃs exige de todos nós sentido de responsabilidade para que um investimento com um financiamento desta magnitude não se perca por razões de conjuntura polÃtica”, afirmou, considerando que, se não existir risco de o perder, “é de bom-tom” que a decisão seja tomada pelo executivo que sair das legislativas antecipadas de 10 de março.
O projeto de alta velocidade Lisboa-Porto, com um custo estimado de cerca de 4,5 mil milhões de euros, prevê uma ligação entre as duas cidades numa hora e 15 minutos, com paragem possÃvel em Leiria, Coimbra, Aveiro e Gaia.
Paralelamente, está também a desenvolver-se a ligação Porto-Vigo, dependente da articulação com Espanha, com nova ligação ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro e troço Braga-Valença (distrito de Viana do Castelo).
“É um projeto, creio que, consensual”, considerou António Costa, defendendo que a ligação entre as três cidades “é um primeiro passo para a inserção de Portugal na rede ibérica de alta velocidade” e reforça a aposta e transição para a ferrovia.
SMA (MCA/ACG) // PC
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