
Porto de Mós, Leiria, 10 mai 2026 (Lusa) – O presidente do PSD e primeiro-ministro, LuÃs Montenegro, criticou hoje os “sindicatos do século XX” e considerou que o paÃs precisa de “sindicalistas com arrojo”, ao abordar a reforma laboral.
“Vamos agora para o parlamento discutir este ponto e eu espero que se tenha a profundidade que não se teve na Concertação Social por razões que eu não sei explicar, mas não são do interesse dos trabalhadores e, muito menos, são dos jovens trabalhadores, porque, com a rigidez de algumas regras, a possibilidade de haver bons projetos para vocês terem bons percursos, bons salários, está limitada”, afirmou LuÃs Montenegro.
Ao discursar em Porto de Mós (Leiria), no encerramento da 15.ª Universidade Europa, perante uma plateia de jovens, o lÃder social-democrata questionou se o paÃs vai “ficar a olhar para as questões e a ver os outros” a ultrapassarem-no ou vai “pôr as mãos nos problemas e resolvê-los com tranquilidade”.
LuÃs Montenegro garantiu que “ninguém quer estar a retirar direitos a ninguém”, mas, antes, “dar um exercÃcio aos direitos, nomeadamente dos trabalhadores, que tenha um melhor resultado”.
Para o chefe do executivo, “isto tem tudo a ver com a Europa, porque é por estas e por outras que a Europa fica para trás”, sustentando que, no continente europeu, “há estes exemplos face aos outros blocos”, de “falta de capacidade de decidir e de implementar, de arrojo”.
“E nós precisamos de polÃticos com arrojo, precisamos de empresários com arrojo, precisamos de sindicalistas com arrojo, não precisamos de estruturas que funcionam com os enquadramentos do século XX, para serem competitivos no século XXI”, declarou, defendendo que estes “não têm hipótese nenhuma” e “é por isso que, depois, têm um decréscimo de representatividade”.
Na opinião de LuÃs Montenegro, é também por isso que há “um desfasamento completo entre aquilo que verdadeiramente interessa aos setores mais dinâmicos e aquilo que verdadeiramente é viver centrado no seu próprio interesse”.
Antes, perguntou aos presentes como se vão “encarar estes desafios, que são os desafios do século XXI, da economia do século XXI, do mercado do século XXI, com as receitas do século XX, com os partidos que pensam como se pensava no século XX, com os sindicatos do século XX”, desafiando a “olhar para aquilo que é necessário fazer”.
Para o presidente do PSD, é necessário “discutir com humildade, com espÃrito democrático e de abertura”, reiterando que o paÃs, que está “a discutir regras que nos outros paÃses há vezes dois, vezes três e vezes quatro”, tem de ser mais competitivo e produtivo.
Considerando que o mercado laboral flexÃvel é “no sentido do interesse do trabalhador, não é flexÃvel para ser despedido, como querem confundir aà as coisas”, Montenegro insistiu que “é no interesse do trabalhador, no interesse da gestão da empresa, da produtividade da empresa, para ganhar mais, para pagar mais”.
“É isto que se faz na Europa, em Portugal não se quer fazer”, lamentou.
As negociações sobre a reforma laboral terminaram na quinta-feira sem acordo entre o Governo e os parceiros sociais, assumiu a ministra do Trabalho, dizendo que um dos parceiros foi intransigente, mas o executivo quer levar uma iniciativa ao parlamento.
“Encerrámos o processo de negociação relativo ao anteprojeto Trabalho XXI”, disse a ministra no final da reunião plenária de Concertação Social, que, em Lisboa, referindo que “infelizmente, não foi possÃvel chegar a um a acordo, apesar de todo o esforço que o Governo fez”.
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