
Ourém, Santarém, 21 out 2024 (Lusa) – O primeiro-ministro defendeu hoje que a polÃtica para a Saúde deve estar “à frente de qualquer preocupação ideológica”, considerando uma perda de tempo a discussão entre público e privado.
“Na saúde temos vindo a procurar incrementar um princÃpio que nem devia ser discutido, porque chegámos a um ponto em que não vale a pena perder muito tempo: o princÃpio de que os cidadãos devem estar à frente de qualquer preocupação, nomeadamente de natureza ideológica. Não há ideologia quando se trata de servir o cidadão – há serviço ao cidadão”, disse LuÃs Montenegro em Caxarias, durante a inauguração de duas unidades de saúde em freguesias do concelho de Ourém, distrito de Santarém.
Em Rio de Couros e Caxarias, o primeiro-ministro encontrou “um bom exemplo” daquilo que o Governo pretende que seja “uma visão coletiva do paÃs para resolver alguns dos problemas que temos pela frente”.
“Sinceramente, acho que perdem tempo aqueles que se distraem a discutir se isto é mais privado, menos privado, mais social, menos social, mais público, menos público… isto é o SNS, mas é sobretudo o serviço ao cidadão, não preso apenas à s amarras do recurso humano que tem de estar ligado, de maneira não ultrapassável, ao setor público”, afirmou.Â
LuÃs Montenegro pegou no exemplo de Rio de Couros, onde a Unidade de Cuidados de Saúde, “seguramente das mais pequenas do paÃs”, funciona com “uma enfermeira em permanência e um médico aposentado, que dá 20 horas do seu esforço de trabalho, ao abrigo do projeto ‘Bata Branca'”.
“A sociedade que queremos é esta: a que junta o impulso da própria sociedade, uma instituição social – a Santa Casa da Misericórdia -, os poderes públicos e junta, já agora, alguém – um médico – que já não está na vida ativa, mas que olhando para a necessidade de ter de servir as pessoas, dá disponibilidade do seu tempo, 20 horas semanais, para dar uma resposta à s pessoas”.
As soluções como o projeto “Bata branca” permitem, “na impossibilidade circunstancial que temos, de não ter oferta de médicos, podermos aproveitar o que há na sociedade, de capacidade instalada, para a acolher dentro do SNS e podemos dar uma resposta ao cidadão”, disse o chefe do executivo.
Reconhecendo que “a Saúde é um dossiê difÃcil” pela falta de profissionais, Montenegro considerou existir “a obrigação de transformar os 16,8 mil milhões de euros investidos na Saúde no Orçamento de Estado para o próximo ano em cuidados de saúde acessÃveis”.
“É demasiado dinheiro para não se fazer repercutir em melhores serviços. A verba foi sucessivamente aumentando e a sensação que as pessoas têm é que o serviço foi piorando”, lamentou.
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MLE // JPS
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