
Maputo, 27 jun 2025 (Lusa) – O polÃtico Venâncio Mondlane disse hoje que os pontos acordados com o Presidente moçambicano, para pacificação do paÃs após o processo eleitoral, não estão a ser cumpridos, mas que continua disponÃvel para essa pacificação.
“Não é o que está ser posto em prática. Nem a nÃvel do discurso, nem a nÃvel dos posicionamentos, nem a nÃvel da execução e implementação, do que foi falado. Do nosso lado, continuamos disponÃveis, nós continuamos em perfeita boa-fé para continuarmos a conversar”, disse o ex-candidato presidencial, depois de voltar à Procuradoria-Geral da República, em Maputo, para ser novamente ouvido num processo no âmbito da agitação social pós-eleitoral.
Após meses de agitação social e manifestações de contestação aos resultados eleitorais — que provocaram cerca de 400 mortos e elevada destruição em todo o paÃs -, com vitória de Daniel Chapo e da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), o chefe de Estado e Venâncio Mondlane encontraram-se pela primeira vez em 23 de março, em Maputo, e acordaram pela pacificação do paÃs, repetindo o encontro em 20 de maio.
Antes, em 05 de maio, o Presidente assinou com todos os partidos um acordo para a pacificação do paÃs, prevendo a revisão da lei eleitoral, da Constituição da República, dos poderes do chefe de Estado, entre outras alterações.
“Nós não temos nenhum entrave em função do que está a acontecer. Agora, é importante perceber o que é que está a acontecer com ele [Presidente da República]. Porque alguma coisa é estranha”, acusou Venâncio Mondlane, acrescentando: “Ou então ele está a sofrer uma pressão muito grande dentro do partido dele [Frelimo, no poder] de pessoas que provavelmente não querem que este paÃs tenha paz. Eu não estou a ver outra alternativa”.
Venâncio Mondlane reconhece que na altura “as conversações” correram “muito bem”, com “pontos de consenso”.
“O único problema é que depois de sairmos daquela mesa, reiteradamente, o chefe de Estado tem uma postura que para mim é contraditória com os consensos que nós lá alcançamos. Por exemplo, nós tÃnhamos alcançado um consenso relativamente à s pessoas que estão detidas associadas com as manifestações. Que havia necessidade, de facto, destes jovens serem libertos, irem à s suas famÃlias, ficando a discussão técnica de como é que isso se faz, se é um indulto, se é uma amnistia”, recordou.
Sublinhou que havia entendimento que esses detidos — ainda cerca de 3.000, segundo organizações não-governamentais no terreno — deviam ser libertados por estar a decorrer um “roteiro de reconciliação, de paz, até de integração destes jovens”.
“É paradoxal que o mesmo chefe de Governo apareça em público a dizer que rejeita a proposta de Venâncio porque não tem base legal de se dar a amnistia a esses jovens. Isso é um ponto. Outro ponto é o tipo de discurso também. TÃnhamos chegado a um consenso que tÃnhamos que evitar qualquer tipo de violência, incluindo a violência verbal. Mas nós notamos, os discursos do chefe de Governo são discursos incendiários, são discursos que estão na contramão, digamos assim, de pessoas que estão comprometidas e que têm fé de que este paÃs um dia possa ter paz”, criticou Venâncio Mondlane.
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