
Lisboa, 20 abr 2021 (Lusa) — O projeto de modernização dos três aviões de transporte, busca e salvamento Hércules C-130 da Força Aérea Portuguesa (FAP) “apresenta atrasos no seu caminho crÃtico”, segundo relatório oficial a que a agência Lusa teve acesso.
O documento da execução da Lei de Programação Militar (LPM), coordenado pelo Núcleo de Acompanhamento da Execução da LPM e datado de 18 março, destaca “o impacto da pandemia de covid-19, que provocou atrasos em diversos trabalhos contratualizados (…) e restrições de financiamento que conduziram ao replaneamento das atividades e o recurso à gestão flexÃvel”.
“A execução de alguns dos projetos foi igualmente condicionada pelos cortes sucessivos na atribuição de fundos disponÃveis ao longo de 2020 e a disponibilização tardia das verbas transitadas do ano anterior”, lê-se.
O relatório resume: “dos 19 projetos a decorrer, um (C-130H — Programa de Modernização de Capacidade) apresenta atrasos no seu caminho crÃtico e sete apresentam atrasos face ao planeado, mas passÃveis de recuperação até final dos mesmos (Centros de Comando e Controlo Aéreo, Serviços de Navegação Aérea, Comunicações e Sistemas de Informação, Sistemas de Radar, Contrato de manutenção dos motores (GSP), EH-101 Sustentação de Aeronaves e Projetos Cooperativos — MHTC)”.
O processo de modificação das históricas aeronaves, sediadas na Base Aérea n.º 6 (Montijo) desde 1977, está a cargo da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, num investimento de cerca de 16 milhões de euros, com fundos comunitários, para adaptar aqueles aparelhos à s regras europeias, incluindo reformulação dos sistemas de comunicação, navegação, controlo de voo e instrumentos de bordo, de modo poderem voar até 2030.
O Estado português já comprou à empresa brasileira Embraer cinco aviões KC-390 por um total de 827 milhões de euros, incluindo um simulador de voo e a manutenção das aeronaves nos primeiros 12 anos de vida, mas o primeiro destes aviões de carga e transporte só tem entrega prevista à FAP em fevereiro de 2023, seguindo-se mais um por cada ano até 2027.
Sem a modernização em curso, os “Bisontes” da esquadra 501 têm de fazer desvios de rota, com consequentes despesa e desgaste material e de recursos humanos, uma vez que não podem sobrevoar a maior parte dos paÃses do centro da Europa.
Em 11 de julho de 2016, um destes aviões, cuja tripulação é composta por seis elementos, sofreu um acidente no Montijo, do qual resultaram três mortos, devido “à impossibilidade em controlar eficazmente a aeronave no decurso de uma manobra que visava treinar a interrupção da respetiva corrida de descolagem – manobra designada de ‘aborto à descolagem'”, concluiu então a investigação.
O quadrimotor, turbo-hélice, de asa alta e trem retrátil, fabricado pela norte-americana Lockheed, destina-se ao transporte de cargas volumosas (viaturas pesadas), lançamento de carga em paraquedas ou por extração a baixa altitude e ainda, ao lançamento de paraquedistas.
Na sua configuração sanitária, o C-130 pode transportar cerca de 70 macas ou até quase 100 feridos ou doentes.
O avião tem um comprimento maximizado de 34 metros, envergadura de 40 e uma altura de 11,5 metros.
Atinge uma velocidade máxima de perto de 600 km/h e tem autonomia para quase 6.500 quilómetros.
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