
Maputo, 23 set 2026 (Lusa) – O Ministério das Finanças moçambicano prevê um crescimento económico de 9,5% em 2029, ultrapassando pela primeira vez os dois biliões de meticais de Produto Interno Bruto (PIB), impulsionada pelos grandes projetos de gás.
Segundo dados compilados pela Lusa a partir do Relatório de Riscos Fiscais 2027, aquele ministério prevê que o PIB nominal – indicador que mede a riqueza produzida pela economia de um país – atinja 2,1 biliões (milhões de milhões) de meticais (28,7 mil milhões de euros) em 2029, depois de crescer para 1,8 biliões de meticais (24,8 mil milhões de euros) em 2027 e 1,9 biliões de meticais (26,4 mil milhões de euros) em 2028.
As projeções apontam para uma recuperação gradual da economia, após uma expansão estimada de apenas 0,6% em 2026, enquanto o crescimento deverá acelerar para 1,54% em 2027, subir para 3,7% em 2028 e atingir 9,5% no ano seguinte.
O salto previsto para 2029 depende da entrada em produção de novos projetos de gás natural em Cabo Delgado. Sem esse contributo, a economia cresceria apenas 3,7% naquele ano, menos 5,8 pontos percentuais do que no cenário de referência admitido pelo Governo.
As previsões apontam igualmente para uma redução gradual da inflação média anual, de 8,7% este ano para 7% em 2027, 6,5% em 2028 e 5,5% em 2029.
Ao mesmo tempo, as receitas fiscais deverão aumentar de 333,9 mil milhões de meticais (4,6 mil milhões de euros) em 2026 para 340,8 mil milhões de meticais (4,7 mil milhões de euros) em 2027, 362,2 mil milhões de meticais (4,9 mil milhões de euros) em 2028 e 397 mil milhões de meticais (5,4 mil milhões de euros) em 2029.
O relatório prevê ainda uma melhoria gradual das contas públicas, passando de um défice de 15,8 mil milhões de meticais (215 milhões de euros) este ano para excedentes de 18,9 mil milhões de meticais (258 milhões de euros) em 2027, 54,5 mil milhões (744 milhões de euros) em 2028 e 75,2 mil milhões de meticais (1,03 mil milhões de euros) em 2029.
A dívida pública deverá recuar de 72,1% do PIB em 2026 para 70,5% em 2027, 68,8% em 2028 e 67,1% em 2029, embora permaneça acima do limiar regional de referência de 60%.
O documento alerta, contudo, que estas projeções dependem da concretização dos investimentos em gás natural, bem como da evolução da situação de segurança em Cabo Delgado e da conjuntura económica internacional.
O Instituto Nacional de Petróleo (INP) moçambicano estima que o país dispõe atualmente de cerca de 180 biliões de pés cúbicos (180 Tcf) de gás natural ‘in situ’, concentrados sobretudo nas Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, recursos que considera estratégicos para impulsionar o crescimento económico, reforçar a segurança energética e promover o desenvolvimento sustentável.
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de Gás Natural Liquefeito da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado, no norte do país.
O projeto Coral Sul, da Eni, é o único em operação, desde 2022, tendo sido aprovado em outubro passado o investimento numa segunda plataforma flutuante para extração, Coral Norte, investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros) que a partir de 2028 vai permitir duplicar a produção para sete milhões de toneladas por ano (mtpa) de GNL, estando em estudo uma terceira unidade.
Após quatro anos de suspensão devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado, o projeto Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, de 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), retomou oficialmente em janeiro e prevê até 13 mtpa a partir de 2029, seguindo-se o projeto Rovuma LNG (Área 4), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa previstos após 2030, e cuja decisão final de investimento é esperada para este ano.
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