
Maputo, 07 jun 2022 (Lusa) – Analistas disseram hoje à Lusa que uma eventual eleição de Moçambique para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU vai permitir que o paÃs leve à quele órgão a sua experiência na resolução de conflitos, através do diálogo.Â
“Temos um ganho de ser um paÃs que sempre vive e viveu de conflitos, temos uma experiência acumulada também para partilhar com o mundo”, disse à Lusa o politólogo moçambicano João Pereira.Â
Pereira assinalou que o paÃs pode levar para o palco internacional a sua visão sobre a raiz das guerras no mundo, dado que tem conhecido vários conflitos ao longo da sua história.Â
Por outro lado, prosseguiu, no Conselho de Segurança da ONU, será possÃvel ampliar a voz em relação a vários temas que fazem parte da agenda global.Â
“Os paÃses africanos precisam de estar sempre nestes fóruns, como forma de colocar a voz na agenda global. Não podemos sempre delegar, temos de ser nós a fazer a nossa história”, destacou João Pereira, que é também docente na Universidade Eduardo Mondlane, a maior e mais antiga de Moçambique. Â
Por seu turno, Francisco Carmona, editor executivo do semanário Savana, defendeu que a eleição de Moçambique para membro não permanente das Nações Unidas vai dar ao paÃs a oportunidade de mostrar o diálogo como a caminho para a paz.Â
“Moçambique terá de fazer de tudo no sentido de convencer os outros Estados-membros que o caminho para a paz e segurança internacional é o diálogo, num contexto em que a Europa do Leste está em guerra”, salientou Francisco Carmona.Â
O jornalista apontou o aumento da reputação do paÃs na comunidade internacional, observando que Maputo já “é bem visto”, a avaliar pelo apoio declarado pela União Africana (UA) à candidatura a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.Â
“O facto de Moçambique ter conseguido apoio de toda a União Africana é uma amostra de que somos bem vistos e respeitados. Expressa também que somos reconhecidos em matéria de paz e segurança internacional”, enfatizou.Â
O diplomata e antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique Hipólito PatrÃcio também defendeu que o paÃs poderá contribuir para o reforço do papel das Nações Unidas como instrumento de paz e segurança mundiais.Â
“A par da paz, para a estabilidade mundial, há que ter em conta os eventos extremos causados pelas mudanças climáticas. Sendo um paÃs que sofre ciclicamente, vamos partilhar a experiência na gestão e mitigação dos impactos negativos dos desastres naturais”, afirmou PatrÃcio, em entrevista ao semanário Domingo.Â
Aquele diplomata referiu que o paÃs vai levar igualmente as lições do combate ao “terrorismo” na provÃncia de Cabo Delgado, região norte.Â
A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Verónica Macamo, disse na segunda-feira que o paÃs vai trabalhar na preservação da paz e segurança no mundo, durante o seu mandato, em caso de eventual eleição a membro não permanente do Conselho de Segurança.Â
O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros, cinco permanentes e dez não permanentes.Â
Moçambique vai tentar substituir o Quénia na vaga do representante africano.Â
A eleição vai acontecer na quinta-feira na sede da ONU, em Nova Iorque.Â
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