
Maputo, 05 jun 2026 (Lusa) – O ministro das Obras Públicas moçambicano, Fernando Rafael, reconheceu hoje que a mitigação das cheias e secas precisa da cooperação permanente e efetiva com os países vizinhos com os quais partilha rios.
“A mitigação de cheias e secas não passa apenas por investimentos em infraestruturas, tais como barragens e diques, investimentos em sistemas de aviso prévio, mas, acima de tudo, passa pela cooperação permanente e efetiva com os países à montante, neste caso, referimo-nos ao Reino de Essuatíni e à República da África do Sul”, disse hoje o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael.
O governante falava durante a primeira reunião do Conselho de Ministros da Comissão das Bacias Hidrográficas dos Rios Incomáti e Maputo (INMACOM), na província sul-africana de Gauteng, na qual Moçambique assumiu a presidência, destacando que a cooperação entre os Estados-membros tem contribuído para melhorar a qualidade de vida das populações e impulsionar o desenvolvimento económico da região.
“Graças à cooperação e à conjugação de várias medidas, temos registrado progressos significativos, particularmente na redução do número de vítimas humanas”, assinalou, acrescentando que a partilha de informação entre os países coloca Moçambique numa “posição privilegiada” para comunicar às comunidades os potenciais riscos associados a eventos climáticos extremos.
A Comissão das Bacias Hidrográficas dos Rios Incomáti e Maputo é um organismo regional que reúne Moçambique, África do Sul e Essuatíni para garantir a gestão conjunta e sustentável das águas partilhadas destes rios. A comissão promove a cooperação entre os países membros, com enfoque no uso equilibrado dos recursos hídricos, prevenção de cheias e secas, partilha de informação e mitigação de impactos ambientais, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico da região.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
O número de mortos na última época das chuvas em Moçambique ascendeu a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas desde outubro, segundo a última atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, feita já no início de maio.
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