Moçambique procura cooperação com Índia para mobilidade urbana e ferrovia

Maputo, 10 out 2026 (Lusa) — Moçambique quer explorar parcerias com a Índia para desenvolver soluções de mobilidade urbana e acelerar a modernização ferroviária, incluindo o acesso a novas tecnologias e material circulante, anunciou hoje o Ministério dos Transportes e Logística (MTL).

Em comunicado, o MTL refere que o ministro João Matlombe reuniu-se em Nova Deli com responsáveis da Delhi Metro International e da empresa ferroviária Rites, à margem da conferência Sagarmanthan – Diálogo sobre os Grandes Oceanos, que decorre na Índia, procurando identificar oportunidades de cooperação técnica e de investimento para o desenvolvimento de soluções de mobilidade urbana em Moçambique.

Durante o encontro, no âmbito da visita que realiza ao país, o governante recebeu informações sobre a operação, expansão e desenvolvimento do sistema de transporte metropolitano indiano, considerado um dos maiores e mais avançados do mundo. Segundo o ministério, a experiência indiana poderá contribuir para o desenvolvimento de soluções destinadas a responder aos desafios de mobilidade urbana enfrentados pelas principais cidades moçambicanas, num contexto de crescimento populacional e aumento da procura por transportes públicos.

Ainda em Nova Deli, João Matlombe reuniu-se com a Rites, empresa indiana especializada no setor ferroviário e que mantém uma longa relação de cooperação com a estatal Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).

A colaboração entre a Rites e os CFM tem incidido, ao longo dos anos, em áreas como formação de quadros, assistência técnica, consultoria e fornecimento de locomotivas, vagões, automotoras e carruagens para transporte de passageiros.

Uma das principais novidades apresentadas ao ministro moçambicano foi o processo de transformação tecnológica levado a cabo pela Índia no setor ferroviário.

Segundo a informação divulgada, o país asiático abandonou por completo a utilização de locomotivas a diesel, passando a operar com locomotivas elétricas.

As autoridades e empresas indianas manifestaram igualmente interesse em adaptar parte da sua produção de locomotivas aos padrões ferroviários da África austral, tendo em conta as necessidades de renovação e reforço de frotas existentes em várias administrações ferroviárias da região.

A informação surge pouco mais de um ano após a Rites concluir a entrega de um lote de 10 locomotivas diesel-eléctricas aos CFM, ao abrigo de um contrato avaliado em 37,68 milhões de dólares (32,5 milhões de euros).

Na altura, João Matlombe afirmou que os equipamentos representavam um investimento para tornar o sistema ferroportuário moçambicano “moderno, eficiente, competitivo e preparado para servir a economia nacional e a região”.

Na mesma ocasião, o ministro sustentou que Moçambique dispõe de uma localização estratégica no contexto regional, defendendo que investimentos consistentes e uma gestão eficiente podem transformar o país numa plataforma logística de referência para a África Austral.

O anúncio da transição integral da Índia para locomotivas eléctricas coincide com os planos de expansão da capacidade ferroviária moçambicana. O Governo prevê investir cerca de 190 milhões de euros até 2030 na duplicação de linhas férreas, aquisição de carruagens, locomotivas e vagões para reforçar o transporte de passageiros e mercadorias.

Entre os investimentos previstos constam a conclusão da duplicação dos restantes 25 quilómetros da linha férrea de Ressano Garcia, que liga Moçambique e a África do Sul, a aquisição de mais de 30 carruagens para passageiros, 250 vagões destinados ao transporte de carga e pelo menos 15 locomotivas de linha.

Segundo documentos governamentais, o executivo prevê ainda um crescimento de 26,6% no tráfego ferroviário, impulsionado pelo reforço da frota e pela entrada em pleno funcionamento das linhas reabilitadas e expandidas de Ressano Garcia, Matola Gare-Moamba e Machipanda.

PVJ // PSC

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