
Maputo, 27 out 2026 (Lusa) – Moçambique prevê um recorde de produção de ouro em 2027, com 1.809 quilogramas, um aumento de 44% face a 2026, numa recuperação impulsionada pela retoma da atividade mineira após constrangimentos nos principais polos de produção.
De acordo com estimativas na proposta orçamental para 2027, o Governo aponta para uma “retoma significativa” da indústria extrativa, sustentada pela recuperação dos principais minerais de exportação.
“No ramo dos minerais metálicos, destaca-se o ouro, cuja produção poderá aumentar em cerca de 44%”, lê-se.
O Executivo prevê que a produção de ouro venha a atingir 1.809,2 quilogramas em 2027, acima dos 1.255,4 quilogramas projetados para 2026 e superando o máximo anterior de 2023.
Os dados indicam que a produção de ouro passou de 764,4 quilogramas em 2021 para 1.263,8 quilogramas em 2022 e 1.666,4 quilogramas em 2023, tendo recuado para 1.625,8 quilogramas em 2024 e para 1.349,3 quilogramas em 2025.
O aumento esperado da produção deverá traduzir-se igualmente num reforço das receitas de exportação.
Aos preços internacionais atuais do ouro, os 1.809,2 quilogramas previstos para 2027 representam um valor bruto de mercado superior, na cotação atual, de 230 milhões de dólares (200 milhões de euros), embora o valor efetivo da produção dependa da evolução das cotações internacionais e das condições de comercialização.
A projeção de recuperação acontece num período marcado por dificuldades no setor, com o relatório de execução orçamental do primeiro semestre de 2026 a indicar que a produção moçambicana de ouro caiu 12% entre janeiro e junho, para 713,33 quilogramas, correspondendo a apenas 36% da meta anual de 1.723,24 quilogramas estabelecida para este ano.
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia atribuiu este desempenho à paralisação de empresas mineiras na província de Niassa para regularização das respetivas licenças e à suspensão da atividade mineira em Manica, determinada pelo Decreto n.º 32/2025.
“Esta província [Manica] é a que mais contribui na produção do ouro”, assinalou o Governo no relatório semestral, justificando o impacto da medida nos níveis de produção nacionais.
Já em 2025, a produção de ouro tinha recuado 17%, para 1,349 toneladas, ficando abaixo das metas definidas pelo executivo, igualmente devido à paralisação das atividades de extração em Manica, uma das principais regiões produtoras do país.
Segundo a execução orçamental de 2025, esse resultado representou apenas 82% da meta anual e interrompeu um ciclo de crescimento que culminou no recorde então histórico de 1,626 toneladas alcançado em 2024.
A redução da produção ocorreu num contexto de reforço da fiscalização do setor mineiro, após o Governo ter criado uma comissão multissetorial para combater a mineração ilegal, monitorizar áreas degradadas e assegurar a refinação local do ouro produzido em Moçambique, antes da exportação.
Em paralelo, o Executivo autorizou a retoma da atividade de 30 das 41 empresas mineiras suspensas em Manica desde setembro de 2025 após comprovação do cumprimento de requisitos ambientais e normas de mineração, mantendo as restantes sob avaliação no âmbito do processo de reorganização do setor.
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