Moçambique prevê pagar 671 ME em serviço da dívida externa até final do ano

Maputo, 05 ago 2026 (Lusa) – Moçambique prevê pagar 50.324,4 milhões de meticais (671 milhões de euros) em serviço da dívida externa este ano, mais 43% do que desembolsou em 2025, num contexto de elevados encargos futuros e persistência de atrasados.

O Relatório Anual da Dívida Pública 2025, ao qual a Lusa teve hoje acesso, prevê no pagamento do serviço da dívida 38.659 milhões de meticais (515 milhões de euros) em amortização de capital e 11.665,5 milhões de meticais (156 milhões de euros) com pagamento de juros.

Segundo o documento do Ministério das Finanças, “a predominância da amortização do capital no serviço da dívida projetado reflete o perfil de vencimentos da carteira externa”. Essa projeção surge após uma redução de 39,03% no serviço da dívida externa em 2025, para 542,73 milhões de dólares (467 milhões de euros), resultado da redução da amortização do capital e dos juros pagos, bem como da reprogramação temporal de algumas obrigações financeiras.

Os maiores pagamentos previstos para 2026, segundo o documento, deverão concentrar-se, depois de janeiro, março e julho, ainda em setembro, meses que representam mais de metade do serviço anual projetado. Só março e setembro concentram encargos de 14.067,6 milhões de meticais (188 milhões de euros).

O relatório alerta ainda para um agravamento da pressão financeira entre 2028 e 2029, quando o serviço da dívida externa poderá atingir 60.157,5 milhões de meticais (803 milhões de euros), devido ao início do pagamento de capital dos ‘eurobonds’ MOZAM 2032. Só este instrumento deverá representar amortizações de 56.198,7 milhões de meticais (750 milhões de euros).

Em 2025, os atrasados da dívida pública externa totalizaram 14.704,3 milhões de meticais (196 milhões de euros), dos quais 12.747,6 milhões de meticais (170 milhões de euros) correspondem a capital e 1.956,7 milhões de meticais (26 milhões de euros) a juros.

O documento refere que “os maiores montantes em atraso concentraram-se” na China, com 6.423,7 milhões de meticais (85 milhões de euros), seguida do Fundo Monetário Internacional (FMI), com 3.747,1 milhões de meticais (50 milhões de euros), do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID), com 1.189,4 milhões de meticais (15,8 milhões de euros), e de Portugal, com 1.074,8 milhões de meticais (14,3 milhões de euros).

A evolução dos atrasados, refere-se no documento, esteve associada a “constrangimentos fiscais, num contexto de elevadas necessidades de serviço da dívida e de gestão das prioridades de financiamento do Estado”.

Além destes montantes, Moçambique mantém compromissos pendentes de 394,33 milhões de dólares (340 milhões de euros) junto da Líbia, Angola, Bulgária e Polónia, relativos a credores que não concederam alívio da dívida nos termos acordados no âmbito do Clube de Paris. O Governo afirma continuar “a manter o diálogo com os referidos credores, com vista à identificação de mecanismos adequados para a regularização destes compromissos financeiros”.

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