Moçambique levou eletricidade pela primeira vez a 3,8 milhões de clientes em 2025

Maputo, 26 fev 2026 (Lusa) – A eletricidade chegou em 2025, pela primeira vez, a cerca de 3,8 milhões de consumidores domésticos em Moçambique, num crescimento médio de 1% todos os meses ao longo do ano passado, segundo dados oficiais a que a Lusa teve hoje acesso.

De acordo com informação do Governo sobre a execução orçamental de 2025, a cobertura elétrica da rede nacional “expandiu-se a um ritmo médio de um ponto percetual por mês, totalizando um aumento anual de 10,5% na percentagem da população com acesso ao serviço”.

Assim, em todo o ano passado, foram estabelecidas 418.064 novas ligações à Rede Eléctrica Nacional (REN), totalizando 3.769.004 consumidores domésticos, volume que “confere uma taxa de acesso à rede pública de 55,3%” da população.

Acrescenta-se a estes números os sistemas isolados, como centrais solares e mini-hídricas, com 122.471 novas ligações, elevando o total para 736.080 beneficiários.

“Estes sistemas representam 11,2% da população com acesso fora da rede, culminando numa taxa de eletrificação nacional consolidada de 66,4% em 2025”, lê-se.

Em Mwamatibjana, arredores de Maputo, Aurélio foi um dos que recebeu a eletricidade em 2025, em julho, notícia que o próprio Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, que financia estas operações de expansão da cobertura, lhe levou à porta, como acompanhou a Lusa na altura.

“Nunca viram [televisão] de verdade, eu só mostro no telefone. Então, com televisão, eles vão ver muita coisa mesmo”, contou então à Lusa, sobre a expetativa dos quatro filhos, crianças, com a chegada da eletricidade a casa onde vive há 14 anos, no município da Matola, arredores da capital moçambicana.

A chegada da eletricidade à pequena casa, apenas em tijolo, onde vivem seis pessoas, já deixava então Arléio a preparar um pequeno negócio, servindo bebidas frias a quem passa naquele bairro, uma zona de expansão de Maputo.

Os projetos financiados em Moçambique pelo Banco Mundial permitiram passar a taxa de cobertura de eletricidade de 31% da população em 2018 para 60% em 2024. E um ano depois para quase 67%.

“Eu acho que esse é o poder da eletricidade, não é apenas ligar naquele momento, que um filho pode ser ensinado, mas também é o que lhe leva em termos de crescimento e oportunidade”, sublinhou Ajay Banga, após visitar, nessa altura, nos arredores de Maputo os projetos que mudaram a vida de comunidades, famílias, empresas e pequenos empreendedores, com a chegada da energia.

Traduz-se em 9,5 milhões de moçambicanos a terem acesso a eletricidade pela primeira vez em seis anos, ao abrigo do programa governamental “Energia para Todos”, que tornou Moçambique num dos países de maior crescimento de eletrificação na África subsaariana, segundo o Banco Mundial.

O Banco Mundial aprovou em março do ano passado um financiamento de 100 milhões de dólares (86 milhões de euros) — a que acresce 31 milhões de dólares (26,6 milhões de euros) da Noruega e Suécia — para a terceira fase do programa de acesso a eletricidade à população moçambicana, prevendo mais 146 mil ligações, beneficiando diretamente cerca de 700 mil pessoas.

Trata-se de um financiamento do projeto “Ascent” – Acelerando a Transformação do Acesso à Energia Limpa e Sustentável, uma nova fase do programa “Energia para Todos”, a disponibilizar pela Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), parte do grupo Banco Mundial, em colaboração com o Governo de Moçambique.

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