
Maputo, 10 fev 2026 (Lusa) – O Estado moçambicano arrecadou receitas de quase 352.691 milhões de meticais (4.647 milhões de euros) em 2025, mas falhou a meta definida no Plano Económico Social e Orçamento do Estado (PESOE), anunciou hoje o Governo.
O Conselho de Ministros analisou hoje, na reunião semanal, a execução do PESOE 2025, o primeiro ano de governação do Presidente Daniel Chapo, empossado em 15 de janeiro desse ano num clima de forte recessão económica após a contestação ao processo eleitoral de outubro de 2024.
“A implementação do PESOE decorreu num cenário internacional e doméstico extremamente adverso”, reconheceu, na conferência de imprensa após reunião semanal, em Maputo, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.
“As ações do PESOE foram rigorosamente orientadas para a promoção da paz, estabilidade, inclusão social e o relançamento das bases para dinamizar a economia nacional”, sublinhou, explicando que o desempenho global do documento orçamental foi de 77%, “sendo que dos 470 indicadores avaliados, 360 tiveram um desempenho positivo e 110 tiveram um desempenho negativo”.
A despesa pública para 2025, explicou ainda, atingiu 449.795 milhões de meticais (5.926 milhões de euros), uma realização na ordem de 86,5% em relação à meta, que compara com a execução de 89,7% em 2024.
Os dados do balanço apresentados hoje revelam ainda que a cobrança da receita do Estado correspondeu a uma realização de 91,4% da meta anual, contra 91,6% em 2024, com Impissa a destacar os “impactos provocados pela volatilidade dos conflitos” externos, bem como “o desafio contínuo do terrorismo em Cabo Delgado”, no norte do país, ou “as repercussões económicas das manifestações pós-eleitorais e o impacto devastador” de três ciclones.
“Não obstante os constrangimentos acima, registamos factos favoráveis, com destaque para a melhoria da estabilidade política com o lançamento do Diálogo Nacional Inclusivo”, reconheceu o porta-voz do Conselho de Ministros.
Ainda assim, Inocêncio Impissa afirmou que o resultado da execução orçamental de 2025 “é fruto de um esforço combinado perante o limitado espaço fiscal e as crises” internas e externas.
“O ano de 2025 foi de lançamento de iniciativas estruturantes que terão efeitos a curto e médio prazo, com destaque para o lançamento do Diálogo Nacional Inclusivo, que melhorou a estabilidade política, e a introdução de novas linhas de financiamento à economia, como sejam o Fundo de Desenvolvimento Local e o Fundo Catalítico, que vêm para dinamizar a economia nacional, para além do Fundo de Garantia Mutuária e o Fundo de Recuperação Económica”, concluiu.
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