Moçambique cria Zona Especial para o Turismo de Golfe em Inhambane

Maputo, 04 ago 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano aprovou hoje a criação da Zona Especial para o Turismo de Golfe em Inhambane, considerando ser uma aposta estratégica para atrair investimento internacional e posicionar o país num segmento turístico de elevado valor acrescentado.

A decisão foi aprovada em reunião do Conselho de Ministros, realizada hoje em Maputo, e anunciada pelo porta-voz, Inocêncio Impissa, explicando tratar-se de “uma decisão estratégica de elevado alcance”, destinada a posicionar Moçambique “numa das mais promissoras cadeias globais ligadas ao turismo de alto valor internacional, à economia azul, à atração de investimento internacional e ao crescimento sustentável” do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Inocêncio Impissa explicou que a nova zona especial corresponde a uma área territorial dotada de características naturais consideradas de interesse estratégico para o Estado, orientada para o desenvolvimento integrado da indústria do turismo de golfe e de atividades económicas associadas.

O porta-voz acrescentou que a Zona Especial para o Turismo de Golfo de Inhambane é uma área territorial “com características naturais, de interesse estratégico do Estado, orientada para o desenvolvimento integrado da indústria do turismo de golfo e de atividades económicas conexas”.

De acordo com o porta-voz, o território abrangido pelo projeto inclui áreas localizadas nos distritos de Vilanculos, Inhassoro, Massinga, Jangamo, Zavala e Govuro, na província de Inhambane, podendo ser posteriormente alargado a outros distritos ainda por identificar.

O Governo pretende que a iniciativa funcione como um polo de desenvolvimento turístico especializado, associado a segmentos de elevado rendimento e capaz de atrair investimento privado para infraestruturas turísticas, imobiliárias, de lazer e serviços conexos.

A província de Inhambane é considerada uma das principais regiões turísticas de Moçambique, concentrando destinos de reputação internacional como Vilanculos, porta de entrada para o arquipélago de Bazaruto, e extensas zonas costeiras procuradas por visitantes nacionais e estrangeiros.

O governador de Inhambane, Francisco Pagula, disse à Lusa, em julho, que a província, no sul do país, prevê iniciar ainda este ano a construção do primeiro campo de golfe, num investimento privado de 4,3 milhões de euros, estando em negociação um segundo projeto.

“O primeiro já vai começar ainda neste ano”, disse Francisco Pagula, acrescentando que a previsão de investimento de cinco milhões de dólares (4,3 milhões de euros) envolve ainda a componente de restauração e outros aspetos.

Segundo o governante, está em discussão com outro investidor um projeto para o arranque das obras de um segundo campo de golfe ainda este ano.

“Neste momento estamos com dois grupos grandes que já mostraram interesse, já estão na província. Estamos agora em um momento de tramitação de expedientes. Este é o início, mas como sabem temos o ‘Summit 2026’ [conferência internacional de turismo em Inhambane] que vai acontecer este ano. Acreditamos que, com este ‘summit’, mais interessados poderão manifestar a vontade de investir no golfe ao nível da nossa província”, disse.

A província está também a avançar com a identificação de mais locais para a construção de campos de golfe, indicando o governador que estão em curso projetos para impulsionar o turismo: “São infraestruturas de nível mundial. Se queremos ser referência na região e no mundo, temos de ter infraestruturas que nos levam a uma competição onde um dia podemos acolher grandes torneios de golfe”.

A Confederação Africana de Golfe manifestou em junho a intenção de apoiar Moçambique a tornar-se um ‘hub’ turístico, principalmente na província de Inhambane, através da valorização do golfe como parte da indústria do turismo.

Em 21 de novembro de 2025, o Governo moçambicano anunciou a escolha de Inhambane para a primeira Zona Especial de Turismo de Golfe, referindo que a iniciativa visa atrair mais investimento e turismo desportivo.

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