
Maputo, 05 fev 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano afirmou hoje ser prioridade nacional a construção de uma barragem no distrito de Mapai, província de Gaza, a mais afetada pelas cheias de janeiro, referindo que a albufeira vai reduzir os impactos das inundações no país.
“O que está a acontecer na bacia do Limpopo não ia acontecer da forma como está a acontecer, o rio Limpopo não está controlado, então, toda a água que vier não só das chuvas locais como também dos países do ‘interland’ vai direto para as zonas baixas do Limpopo e de Chokwé (…) temos que construir a barragem de Mapai como prioridade nacional”, disse aos jornalistas o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas moçambicano, Roberto Albino, a partir dos Emirados Árabes Unidos, em Dubai, onde participa num seminário de investimento.
O governante admitiu que a barragem não resolve cabalmente o problema das enchentes, até porque será “sempre necessário abrir as comportas” face à subida das águas, mas poderá, pelo menos, “reduzir o impacto” das cheias naquela província.
Roberto Albino referiu também ser interesse do Governo reunir esforços para retomar projetos de construção de infraestruturas robustas para a contenção das águas, considerando que Moçambique “parou no tempo”.
“Temos que retomar isto e isso já faz parte da agenda (…). Nós viemos aqui, para os Emirados Árabes Unidos com um projeto só, um projeto integrado de geração de energia, água e segurança alimentar, que é a nossa barragem de Mapai (…). Se nós dissemos que vamos fazer essa barragem, de certeza, pode levar o tempo que precisar, mas temos que fazer”, frisou o ministro moçambicano.
O distrito de Mapai, ais de 300 quilómetros ao norte da cidade de Xai-Xai, capital provincial de Gaza, esta ainda isolada do resto dos distritos, alguns dos quais sitiados, devidos às cheias de janeiro, que afetaram mais de 720 mil pessoas em Moçambique.
Também o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, defendeu, na província de Sofala, centro do país, a adoção de uma estratégia nacional de gestão e conservação de recursos hídricos, apontando a construção de barragens como solução para reduzir o impacto recorrente das cheias.
“Tem que haver uma estratégia clara da gestão das águas e da sua conservação, que passa necessariamente pela construção de barragens”, afirmou Lutero Simango, durante a entrega de produtos a famílias reassentadas no distrito de Búzi, defendendo também restrições à ocupação de zonas de risco, que podem ser transformadas “em reservas do Estado”.
O político considerou ainda que o país não tem capacidade para responder sucessivamente às mesmas emergências, questionando o custo dos impactos das cheias em relação aos investimentos em infraestruturas.
“Vão dizer que as barragens custam muito dinheiro. Sim, custam muito dinheiro. E a pergunta é esta, o impacto das cheias quanto custa”, questionou Simango.
Na quarta-feira, a Lusa noticiou que um grupo de empresários dos Emirados Árabes Unidos visita Moçambique na próxima quarta-feira com o objetivo de aprofundar as potencialidades do país nas áreas de transformação digital, portos, energia, agricultura e mineração.
Desde 07 de janeiro foram registados 23 mortos, 145 feridos e nove desaparecidos devido às cheias, além de 3.555 casas parcialmente destruídas, 832 totalmente destruídas e 165.946 inundadas, agravando os números anteriores.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 182 mortos, além de 289 feridos e de 844.932 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
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