
Maputo, 30 jan 2026 (Lusa) – As autoridades de saúde moçambicanas registaram em duas semanas cerca de 20 novos casos de sarampo no paÃs, elevando para 617 no atual surto de seis meses, segundo o último relatório da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP).
O Resumo Epidemiológico do Sarampo, elaborado pela DNSP, que compila dados de 29 de julho de 2025, inÃcio do presente surto, a 28 de janeiro, revela que os casos da doença estão concentrados no centro e norte do paÃs, com um morto.
No dados anteriores, até 16 de janeiro, o total de casos de sarampo ascendia a 598 em todo o paÃs.
Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim, em 28 de janeiro, as autoridades sanitárias confirmaram mais um caso da doença.
Neste perÃodo de seis meses, a provÃncia de Nampula registou 195 casos e um morto, Sofala 178 casos, Niassa 104 e Zambézia 96. Há registo de casos de sarampo ainda nas provÃncias de Manica (37) e Maputo (sete).
“O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, geralmente grave em menores de 05 anos”, alerta a Direção Nacional de Saúde Pública, pedindo a todos os pacientes com sintomas para se dirigirem à s unidades de saúde.
Este surto ocorreu dois anos após uma campanha de vacinação, que, em agosto de 2023, em menos de uma semana, abrangeu cinco milhões de crianças, até aos 4 anos e 9 meses, um número acima do inicialmente estimado, anunciaram então as autoridades, sublinhando que o objetivo foi evitar um surto da doença em cinco provÃncias.
A campanha de vacinação contra o sarampo e rubéola de todas as crianças dos 09 aos 59 meses decorreu de 31 de julho a 04 de agosto de 2023, em todos os distritos das provÃncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, bem como em nove distritos da provÃncia de Niassa.
Em conferência de imprensa realizada em agosto de 2023 em Maputo, o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, recordou que a operação, que custou cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros) e mobilizou 38 mil técnicos, entre vacinadores, registadores, mobilizadores, previa vacinar 4,8 milhões de crianças.
“Conseguimos alcançar e superar esses números, vacinando cerca de cinco milhões de crianças”, apontou Quinhas Fernandes.
“É importante que mais uma vez faça o realce de que estes locais foram selecionados porque são aqueles onde nós temos maior número de crianças na nossa avaliação, crianças que não tinham a vacinação contra o sarampo”, sublinhou.
As perturbações relacionadas com efeitos combinados da pandemia de covid-19 e o aparecimento de outras emergências de saúde pública, admitiu anteriormente o Governo moçambicano, pressionaram os serviços de vacinação e a oferta de outros pacotes de prevenção, incluindo a desparasitação, o que aumentou os riscos de grandes surtos de sarampo no paÃs.
Anteriormente, de janeiro de 2020 até junho de 2023, o paÃs registou 2.565 casos de sarampo, 80% dos quais notificados nas provÃncias de Niassa (norte) e Zambézia, Tete, Manica e Sofala (centro), afetando sobretudo menores de 5 anos.
Antes da campanha de vacinação de 2023, Moçambique tinha realizado, pela última vez, entre os meses de abril e maio de 2018, a campanha nacional de vacinação contra sarampo e rubéola, tendo vacinado então cerca de 13 milhões de crianças, o que resultou numa redução significativa dos casos nas provÃncias mais afetadas.
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