
Maputo, 20 jan 2026 (Lusa) — Moçambique precisa de 6,6 mil milhões de meticais (87,9 milhões de euros) para assistência humanitária à s vÃtimas das inundações, avançou hoje o Governo, adiantando também que não há previsão para o retomar da circulação na principal estrada do paÃs.
“Para assistência, com dados até ontem [segunda-feira], temos um défice e carecemos ou precisamos de um reforço orçamental de 6,6 mil milhões de meticais para assistência humanitária à s populações moçambicanas que se encontram na situação de deslocados”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final de uma reunião deste órgão, em Maputo.
Segundo o responsável, este valor é necessário para reforçar a assistência humanitária à s vÃtimas que neste momento se encontram em centros de acomodação.
As previsões do plano de contingência para a época chuvosa 2025/2026 em Moçambique eram de que chuvas e ventos fortes poderiam afetar 1,2 milhões de pessoas, e para responder à situação o Governo precisa de 14 mil milhões meticais (190 milhões de euros), dos quais até outubro, mês do inÃcio da época chuvosa, só tinha menos de metade.Â
Segundo das autoridades moçambicanas, em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
Questionado sobre o plano da retoma de transitabilidade na N1, principal via terrestre do paÃs, Impissa disse que só será possÃvel após o nÃvel das águas baixar.
“Há vários troços galgados e a informação preliminar que temos é que pode ter havido fissuras em alguns pontos dada a corrente das águas, mas também o facto das estradas se manterem muito tempo sobre águas”, disse Impissa.
“Depois das águas acabarem, tem que se fazer uma análise da estrutura das estradas e só daà definir-se qual é o esforço humano para se retomar a transitabilidade na N1. Mas é nossa preocupação e o facto de ser N1 constitui prioridade para manter a conexão entre o paÃs todo”, acrescentou o porta-voz do Governo.
O total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 112, continuando três pessoas desaparecidos, além de 99 pessoas feridas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com os dados do INGD, com números de 01 de outubro a 19 de janeiro, abrangendo já o atual perÃodo de cheias generalizadas no paÃs, foram afetadas até ao momento 645.781 pessoas, equivalente a 122.863 famÃlias, com 11.233 casas parcialmente destruÃdas e 4.883 totalmente destruÃdas, agravando o balanço anterior.
Dos 80 centros de acomodação abertos desde o inÃcio da época das chuvas, 69 permanecem ativos, com 70.488 pessoas, das 55.722 que já tiveram de ser retiradas das áreas evacuadas, segundo os mesmos dados do INGD.
Foram afetadas ainda 56 unidades sanitárias e 44 casas de culto, além de 306 escolas, sete pontes, 27 aquedutos, 2.515 quilómetros de estrada danificados e 155 postes de eletricidade tombados.
O Governo moçambicano estima que 40% da provÃncia de Gaza está submersa, e que vários distritos de Maputo estão inundados, além da total destruição de, pelo menos, 152 quilómetros de estradas nacionais.
Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famÃlias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos paÃses vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.
PME(PVJ)// ANP
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