
Maputo, 16 jan 2026 (Lusa) – Pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afetadas desde o inÃcio da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas, avançou hoje o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.
“No perÃodo que vai de 22 de dezembro a 15 de janeiro de 2026, o paÃs registou lamentavelmente oito óbitos de compatriotas nossos, que eleva para 103 o número de óbitos de toda a época chuvosa”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim da sessão extraordinária para avaliar a situação.
Segundo o novo balanço do executivo moçambicano, além das mais de 173 mil pessoas afetadas, as chuvas já destruÃram totalmente 1.160 casas e mais de 4.000 parcialmente inundadas, face à s chuvas intensas registadas em todo o paÃs.
“A ativação do alerta vermelho em todo o território nacional tem por objetivo assegurar a coordenação centralizada da resposta imediata aos desastres, reforçar a mobilização de meios a diferentes nÃveis para assistência à s vÃtimas, incluindo meios aéreos, para o estabelecimento de uma ponte aérea para a monitoria e assistência humanitária à s populações isoladas”, disse Impissa.
O responsável esclareceu ainda que o alerta vermelho ativado visa flexibilizar os mecanismos formais de gestão para imediata implementação de medidas ajustadas ao momento e impulsionar a retirada compulsiva de pessoas nas áreas de alto risco.Â
Na região sul do paÃs, avançou hoje o Governo, as bacias hidrográficas dos rios de Limpopo, de Umbeluzi, Incomáti e Inhanombe continuam a registar um “aumento significativo” do volume do escoamento das águas, tendo superado os nÃveis de alerta.
Cenário idêntico é verificado a nÃvel da bacia de Búzi, no centro do paÃs, estando a causar inundações e afetando a transitabilidade e campos agrÃcolas, com o Governo moçambicano a admitir que os meios disponÃveis para lidar com os impactos das chuvas não são suficientes.
“Há meios disponÃveis, no entanto, não são suficientes, ou seja, todo o esforço que podemos fazer não é suficiente para salvar toda a população tendo em conta o nÃvel de descargas que estamos a assistir (…). O esforço que o Governo está a fazer é assegurar que não haja mortes e esse é que é o grande objetivo, que as todas as pessoas sejam poupadas”, referiu Impissa, prometendo retiradas compulsivas nas zonas de risco.Â
A atual época de chuvas, que começou em outubro e vai até abril, tem sido marcada por alertas, principalmente nas zonas do centro e do sul do paÃs, com as autoridades a ativarem ações de antecipação à s cheias e inundações.
O Presidente moçambicano disse hoje que o Governo espera melhorias das condições climatéricas para salvar populações sitiadas devido à s chuvas, defendendo que resta ao paÃs “gerir melhor os eventos climáticos” que o assolam para evitar mais mortes.
A chuva torrencial registada na provÃncia de Gaza, no sul de Moçambique, impediu na quinta-feira que um helicóptero fizesse o resgate de quase 70 pessoas sitiadas desde domingo em Mapai, disse à Lusa a administradora do distrito. Â
Na quarta-feira, a Direção Nacional de Gestão de Recursos HÃdricos de Moçambique, estimou que pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas compulsivamente das zonas de residência, devido ao risco de inundações na provÃncia de Gaza, sul do paÃs.Â
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique emitiu na quinta-feira um alerta vermelho para chuvas fortes a muito fortes nas próximas horas, sobretudo nas provÃncias de Gaza e Maputo, consideradas as mais vulneráveis face à intensidade da precipitação prevista para as próximas horas, com risco elevado de cheias, inundações e descargas atmosféricas.
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