Moçambique/Ataques: UE em diálogo com Maputo sobre eventuais apoios a medidas de segurança em Cabo Delgado

Bruxelas, 17 mar 2026 (Lusa) — A Comissão Europeia disse hoje estar em “diálogo contínuo” com Moçambique para definir eventuais apoios em termos de “medidas de segurança” em Cabo Delgado, mas frisou que decisões sobre o destacamento ruandês devem ser feitas entre os dois países.

“Estamos em diálogo contínuo sobre as opções para ver como é que a União Europeia (UE) pode apoiar da melhor forma Moçambique em matéria de desenvolvimento, ação humanitária e construção da paz, assim como em medidas de segurança”, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros, Anouar El Anouni, na conferência de imprensa diária do executivo comunitário.

O porta-voz tinha sido questionado se a Comissão Europeia tem algum plano para renovar o apoio da União Europeia às forças do Ruanda que combatem o terrorismo em Cabo Delgado, que termina em maio.

Na resposta, Anouar El Anouni afirmou que a UE reconhece a “contribuição muito importante feita pelo Ruanda nos esforços para controlar a situação na região”, salientando que as autoridades moçambicanas também têm valorizado a presença das forças ruandesas.

No entanto, o porta-voz defendeu que cabe a Moçambique e ao Ruanda “identificarem a forma adequada de avançar com esta ação específica”, frisando que os dois países “concluíram um acordo bilateral” quanto à mobilização das forças ruandesas no terreno.

Anouar El Anouni fez ainda um balanço das medidas adotadas pela UE quanto ao conflito em Cabo Delgado, recordando que o bloco organizou uma missão de treino militar, que entretanto se tornou numa missão de assistência militar, e mobilizou um apoio financeiro para as operações das Forças Armadas de Moçambique e das Forças de Defesa do Ruanda no terreno.

Este domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, avisou que o destacamento ruandês que combate o terrorismo em Cabo Delgado vai sair do norte de Moçambique caso não haja garantias de “financiamento sustentável” à operação

A posição surge quando se aproxima o fim do apoio financeiro da União Europeia (UE) à operação, em maio, ao fim dos 36 meses previstos e de desembolsos de 40 milhões de euros, e numa altura em que os Estados Unidos da América (EUA) — que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado — aplicaram sanções às Forças de Defesa do Ruanda (RDF), devido ao conflito na República Democrática do Congo.

À Lusa, fonte oficial da delegação da UE em Moçambique disse não haver negociações para a continuidade do apoio da UE às Forças do Ruanda.

Em reação, o Governo moçambicano assumiu na sexta-feira “preocupação” e “choque” com o fim desse apoio, garantindo que procura alternativas e que as sanções dos EUA não afetam a operação do Ruanda em Cabo Delgado.

Trata-se de um apoio de 20 milhões de euros previsto desde que foi acordado, em novembro de 2024 – seguiu-se a outro apoio idêntico de igual valor em 2022 -, para totalizar um período de assistência de 36 meses, que agora termina, financiado, nomeadamente, a aquisição de equipamento pessoal e transporte aéreo estratégico.

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