Moçambique/Ataques: Supostos terroristas matam duas pessoas em aldeia de Cabo Delgado

Pemba, Moçambique, 21 out 2026 (Lusa) – Dois civis foram mortos a tiro hoje por supostos terroristas na aldeia de Nangunde, província moçambicana de Cabo Delgado, disseram à Lusa fontes da comunidade local, no distrito de Muidumbe.

Segundo as fontes, as mortes aconteceram na zona de Muanga, baixa da aldeia de Nangunde, após as vítimas se depararem com os insurgentes sentados nos seus campos de produção de cana de açúcar.

“Eram dois amigos, decidiram ir lá na baixa, zona de Muanga, para destilarem nipa [bebida tradicional] e quando lá chegaram encontraram terroristas sentados nas suas machambas e daí tentaram fugir”, disse o familiar de uma das vítimas.

“Foram apanhados e mortos a tiro”, acrescentou.

Segundo outra fonte, na mesma ocasião, duas mulheres encontraram igualmente terroristas sentados nos seus campos de produção de tomate e, na tentativa de fugir, foram apanhadas e libertadas mediante o pagamento de 50 mil meticais (700 euros) de resgate.

“Quando viram, tentaram fugir, mas sem sucesso. Foram pegues e só não morreram porque pagaram”, explicou outra fonte a partir de Muidumbe.

A situação criou pânico e medo entre os camponeses, que prontamente abandonaram a zona por medo de mais ataques.

Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.

A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado em setembro, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

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