Moçambique/Ataques: Pelo menos 64 mortos em confrontos em Macomia desde junho – ACLED

Pemba, Moçambique, 06 ago 2026 (Lusa) – A organização ACLED estima que pelo menos 64 pessoas foram mortas desde meados de junho em confrontos entre grupos armados insurgentes e forças armadas moçambicanas e ruandesas na floresta de Catupa, distrito de Macomia, Cabo Delgado, norte de Moçambique.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), consultado hoje pela Lusa, as forças estatais concentraram em julho os esforços para contestar o controlo insurgente da floresta de Catupa, considerada um dos principais redutos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

“Desde meados de junho, houve pelo menos 64 fatalidades nessas operações. Os combates somente entre 5 e 12 de julho levaram a estimativas conservadoras de pelo menos 20 fatalidades, embora algumas fontes locais tenham dado estimativas de até 60 mortes”, refere-se no documento.

A província de Cabo Delgado, rica em gás e valiosos recursos minerais, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Segundo a ACLED, os confrontos ocorreram sobretudo nas proximidades dos postos avançados de Catupa e Namabo, bem como numa operação da Força de Defesa do Ruanda (RDF, na sigla em inglês) junto à localidade de Cogolo, representando cerca de metade dos confrontos registados entre as partes desde meados de 2025.

Apesar da intensificação das operações, o documento refere que todas as tentativas para desalojar os insurgentes de Catupa desde a intervenção internacional de 2021 falharam e considera provável que o grupo mantenha a sua presença na área.

O relatório acrescenta que parte dos terroristas deslocaram-se para sul de Cabo Delgado em resposta à pressão exercida pelas forças moçambicanas e ruandesas em Catupa, atravessando os distritos de Quissanga, Mecúfi, Meluco, Ancuabe, Chiúre e Montepuez.

Segundo a ACLED, estes movimentos foram acompanhados por ações de rapto e extorsão, sobretudo em áreas de mineração artesanal de ouro. Em Ancuabe, registaram-se sequestros em pelo menos dois locais mineiros, em 13 e 20 de julho.

“Em Muaja, alguns foram mantidos para pedir resgates de até 60.000 meticais [813,8 euros], enquanto outros foram recrutados à força para o EIM”, refere a organização, citando fontes locais.

A ACLED indica ainda que, após se deslocarem para o distrito de Montepuez, os insurgentes intercetaram, em 26 de julho, três viaturas na estrada R698, que liga Montepuez a Mueda, junto à aldeia de Nicocue. Segundo o relatório, passageiros e viaturas foram retidos pelos combatentes até ao pagamento de resgates, tendo as vítimas transferido cerca de 389 mil meticais (5,2 mil euros) para garantir a libertação de pelo menos 10 pessoas.

Os insurgentes apoderaram-se igualmente de três veículos, incluindo um camião de madeira, antes de seguirem em direção ao norte, rumo à província do Niassa, passando pela área mineira de Shamba Kubwa no final de julho.

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