Moçambique/Ataques: INE admite dificuldades mas tenta cobertura total do censo em Cabo Delgado

Pemba, Moçambique, 28 ago 2026 (Lusa) – O Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano admitiu hoje dificuldades para garantir a cobertura total de Cabo Delgado no recenseamento geral da população de 2027, devido aos constrangimentos de segurança provocados pela insurgência armada na província.

“A meta é cobrir toda a província, porque o censo tem que cobrir todas as áreas. O desafio é como conseguir esse feito, cobrirmos todas as áreas da província, mas em devida altura as autoridades competentes vão colaborar nesse sentido, de modo a tornar possível fazer a cobertura a nível da província”, disse o delegado provincial do INE, Lucas Mateus.

O responsável falava em Pemba, capital de Cabo Delgado, norte de Moçambique, durante as celebrações dos 30 anos da criação do INE, adiantando que decorrem atualmente trabalhos de atualização cartográfica que servirão de base ao recenseamento geral previsto para 2027.

Segundo Lucas Mateus, esta fase preparatória está a decorrer sem constrangimentos, incluindo em zonas anteriormente afetadas pela atividade dos grupos extremistas que atuam em Cabo Delgado desde 2017.

A insurgência no norte de Moçambique já provocou mais de 6.600 mortos e cerca de 1,2 milhão de deslocados, segundo dados de organizações internacionais e entidades de monitorização do conflito.

“Neste momento estamos a realizar atualização cartográfica, que é a preparação do censo, no sentido da atualização dos limites administrativos, das infraestruturas habitacionais e não habitacionais, de modo que tenhamos informação atualizada para garantir que os recenseadores durante a operação do censo geral sejam colocados nos lugares ideais”, explicou.

De acordo com o delegado do INE, os trabalhos decorrem atualmente em 12 distritos da província, estando prevista a sua expansão para mais três distritos na próxima semana.

“Contamos com a colaboração das autoridades locais para tornar esse processo positivo. O desafio são as zonas onde não é possível entrar sem a informação devida das autoridades locais”, afirmou.

Segundo Lucas Mateus, o recenseamento de 2027 será importante para atualizar os dados demográficos da província, numa altura em que persistem movimentos populacionais associados ao conflito.

“Esta operação, o censo do próximo ano, vai permitir ter dados atualizados. Os dados que valem agora são de 2017”, concluiu.

O INE anunciou em junho que prevê registar 36 milhões de habitantes no recenseamento populacional de 2027, mais dez milhões do que os contabilizados no censo de 2017, numa operação orçada em 96,2 milhões de euros.

Ao apresentar a estrutura organizativa do quinto Recenseamento Geral da População e Habitação, a presidente do INE, Elisa Magaua, indicou que o país deverá registar um crescimento face aos pouco mais de 26 milhões de habitantes recenseados em 2017.

O Banco Mundial já garantiu um financiamento inicial de 12,7 milhões de dólares (cerca de 11 milhões de euros) para a operação, que será a primeira a realizar-se de forma totalmente digital.

O INE estima que a população moçambicana tenha atingido 34 milhões de habitantes em 2025, face aos pouco mais de 26 milhões registados no último censo.

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