Moçambicana Renamo pede contacto urgente com África do Sul sobre ataques a imigrantes

Maputo, 28 abr 2026 (Lusa) — A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) pediu hoje que o Governo de Moçambique interaja, “com caráter de urgência”, com as autoridades sul-africanas face aos ataques xenófobos naquele país, manifestando “grande preocupação” sobre o fenómeno.

“Apelamos ao Governo de Moçambique para, com caráter de urgência, interagir com as autoridades sul-africanas, com vista a pôr cobro e proteger os estrangeiros, [além de] compreender as reais motivações da alegada ‘Operação Dudula’ que, segundo informações disponíveis, terá o seu ponto mais alto a 04 de maio próximo”, lê-se num comunicado do Departamento de Relações Exteriores da Renamo, divulgado hoje.

A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando a migração, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país.

A Embaixada de Angola na África do Sul apelou, na segunda-feira, aos cidadãos angolanos residentes no país para evitarem deslocações, manterem a calma e agirem com prudência face às várias “manifestações e situações de tensão social” contra os imigrantes.

Na sexta-feira, o Governo do Gana convocou o embaixador sul-africano no país após “incidentes xenófobos” ocorridos nas últimas semanas e divulgados nas redes sociais, onde vídeos mostram supostos migrantes africanos a serem atacados na África do Sul.

As autoridades moçambicanas ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os ataques.

A terceira força parlamentar moçambicana lamentou que, embora devidamente identificados e documentados, os moçambicanos sejam impedidos de aceder aos serviços de saúde e escolas, “sob o olhar impávido e sereno das autoridades sul-africanas”.

“O partido Renamo acompanha com grande preocupação a situação prevalecente na África do Sul, caracterizada pela intolerância e atos de xenofobia contra os estrangeiros, em particular moçambicanos residentes naquele país vizinho”, refere-se no comunicado.

Para a formação política, os atos xenófobos minam a boa convivência e segurança entre os dois países e, a curto e longo prazos, podem “desencorajar os esforços de integração africana” e livre circulação no continente, particularmente na África Austral.

A Renamo recordou que Moçambique foi abrigo de sul-africanos na sua “heroica luta contra o regime segregacionista do apartheid”, tendo sido muitos moçambicanos sacrificados em sua defesa e proteção.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos e distúrbios, especialmente nos bairros mais vulneráveis.

Inúmeras comunidades de imigrantes foram então repatriadas pelos seus próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia.

Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

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