
Maputo, 28 ago 2026 (Lusa) – A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, oposição) anunciou hoje a realização do Conselho Nacional em 21 e 22 de outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja direção de Ossufo Momade é fortemente contestada.
“Convocar a reunião do Conselho Nacional para os dias 21 e 22 de outubro, para discutir a situação do paÃs e, igualmente, discutir a situação interna do partido. Afinal de contas, o partido Renamo é partido dos moçambicanos e discutir estas questões faz parte da agenda de desenvolvimento deste paÃs”, disse o porta-voz, Marcial Macome, acrescentado que em “tempo oportuno” a comissão polÃtica vai deliberar sobre a agenda.
Em conferência de imprensa, em Maputo, o porta-voz do partido disse ainda que caberá ao Conselho Nacional decidir sobre um eventual congresso extraordinário, para escolha de um novo lÃder, que não depende da “agenda de indivÃduos”.
“Partido Renamo tem órgãos, o presidente Ossufo é presidente da Renamo eleito em congresso [maio de 2024]. E isto só vai ser desfeito num congresso”, acrescentou, garantindo que o partido “está feliz” com Ossufo.
A realização do Conselho Nacional tem sido defendida pelos crÃticos internos de Ossufo Momade, como o histórico e ex-deputado António Muchanga, que defende publicamente a saÃda do lÃder. Também por antigos guerrilheiros, que exigem a sua saÃda da liderança da Renamo, ocupando as sedes em protesto.
Esse Conselho Nacional chegou a estar convocado para março último. Contudo, não se realizou, tendo sido promovida em alternativa uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, provÃncia de Manica, em 27 e 28 de março.
Nessa altura, a Renamo anunciou a realização, nesse semestre — que não aconteceu -, do Conselho Nacional, referindo que Ossufo Momade, lÃder contestado do partido, poderá abandonar o cargo ainda este ano.
“O lÃder da Renamo deixou claro que não iria candidatar-se à presidência do partido, contudo, deixou claro que não pode abandonar o cargo sem que se realize o congresso para evitar que a situação interna de conflitualidade se agrave”, lê-se numa nota daquela formação polÃtica, divulgada na altura.
A Renamo realizou a reunião dos generais e oficiais em Chimoio, no centro de Moçambique, na qual deliberou sobre a realização do Conselho Nacional ao longo do primeiro semestre. “Caso o Conselho Nacional decida pela realização do Congresso Extraordinário, [o] presidente Ossufo Momade poderá deixar o cargo ainda este ano”, referiu então o partido, em nota.
No encontro dos generais declarou-se também a abertura “imediata e incondicional” das delegações polÃticas do partido encerradas por ex-guerrilheiros em algumas provÃncias do paÃs, para permitir o “funcionamento efetivo da máquina partidária”.
Na apelidada “Declaração de Chimoio”, a Renamo decidiu também, entre outros, pela realização da reunião de quadros, identificação e aceleração das pensões dos desmobilizados, preparação das próximas eleições, além de apelar para a união entre os membros em prol do partido.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsÃdios e de “incompetência total” face à crise no partido.
Em janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.
“Isto não começou com Ossufo Momade, nem com o próprio presidente Afonso Dhlakama [1953-2018]”, disse o lÃder partidário, referindo que a Renamo continuou ativa, apesar dos conflitos internos ao longo dos anos.
Em 2018 sucedeu na presidência do partido a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano.
Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, partido que também perdeu nessas eleições o estatuto de lÃder da oposição.
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