Moçambicana Renamo assegura que partido está coeso mas congresso continua sem data

Nampula, Moçambique, 17 out 2025 (Lusa) – A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, oposição) garantiu hoje haver coesão entre os membros do partido, após a contestação dos últimos meses ao líder, Ossufo Momade, mas ainda não tem data para o congresso, após o último Conselho Nacional.

“É um processo de diálogo constante. A Renamo entende que neste momento encontra-se coesa, todos os pontos de divergência foram muito aprofundados e muito bem discutidos”, disse o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, em conferência de imprensa realizada hoje, sobre o balanço do Conselho Nacional do partido, que decorreu na quinta-feira na província de Nampula, norte de Moçambique.

Segundo o responsável, após muito tempo de “debate e acesas divergências”, os membros daquele órgão “definiram e aprovaram em unanimidade” que a “união na diversidade” e o respeito pelos valores e ideologias do movimento político devem estar acima do interesse de todos.

“Todos aqueles que tinham o que tinham no seu coração tiveram espaço para manifestar o seu sentimento sobre a situação do partido. Depois de apresentado este sentimento, avançou-se para um momento de reconciliação”, explicou.

Durante a reunião, avançou Macome, o partido deliberou pela “busca constante de diálogo e de consenso entre os membros”.

Sobre a atual onda de contestação ao líder do partido, com ex-guerrilheiros a encerrar sedes e delegações, impulsionada pela perda do estatuto do partido da segunda força política mais votada nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024, passando de 60 deputados, nas legislativas de 2019, para 28, o porta-voz explicou que o assunto foi muito debatido internamente e os próprios combatentes decidiram que “ninguém irá, nos próximos dias, deixar de lutar pelos valores da Renamo”.

O presidente do partido, que antes garantiu que não ia concorrer para a liderança do movimento, mas foi reeleito para um mandato de cinco anos em 2024, é também acusado de alegada “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.

Sobre a realização do próximo congresso do partido, o porta-voz da Renamo explicou que o evento é realizado mediante uma convocação “e neste momento não foi marcada nenhuma convocação para o congresso”.

Em 07 de outubro, um grupo de ex-guerrilheiros da Renamo criticaram a marcação tardia do conselho nacional, afirmando que decorre “depois do leite derramado” e prometeram forçar a saída de Ossufo Momade da liderança do partido.

Os ex-guerrilheiros consideram “uma fantochada” a realização deste encontro, referindo que “não passa de uma manobra dilatória” para manter Momade na presidência daquela formação política.

O grupo, que antes tomou a sede da Renamo na capital moçambicana, afirmou não ter sido convidado para a reunião do partido, prometendo seguir, ainda assim, para Nampula para resolver o problema “de uma vez por todas”.

Ossufo Momade assumiu a presidência da Renamo em janeiro de 2019, após a morte de Afonso Dhlakama (1953 –2018), e foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente.

O líder daquela formação política foi candidato presidencial nas eleições de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo partido, principal força de oposição em Moçambique desde as primeiras eleições em 1994.

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