
Maputo, 26 fev 2026 (Lusa) — A comissão política da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) pediu responsabilização e esclarecimento urgente dos casos de desvio de donativos destinados às vítimas das cheias em Gaza, no sul do país, havendo já três detidos.
“O assunto de Xai-Xai deve merecer uma atenção urgente e esclarecimento igualmente urgente, responsabilizando-se de forma administrativa, bem como criminal, quando os elementos forem devidamente reunidos”, disse Pedro Guiliche, porta-voz do partido no poder em Moçambique, após uma sessão ordinária da comissão política, realizada na quarta-feira, em Maputo.
Três funcionários públicos, incluindo uma administradora distrital, estão detidos por suspeitas de desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na cidade de Xai-Xai, capital provincial de Gaza, anunciou, na terça-feira, a polícia de investigação criminal.
“Na sequência das investigações levadas a cabo com vista ao esclarecimento dos factos, no dia 22 de fevereiro de 2026, por volta das 20:00 [18:00 em Lisboa], foi desencadeado um trabalho operativo junto dos armazéns do INGD [Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres], onde foram surpreendidos dois funcionários públicos a efetuarem o carregamento dos referidos produtos”, disse o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) em Gaza, Zaqueu Mucambe, em conferência de imprensa.
O órgão da Frelimo pede que as autoridades realizem o trabalho de averiguação dos factos, respondam e clarifiquem “com a urgência necessária” o suposto desvio de donativos, além de “responsabilizar exemplarmente” os envolvidos.
“A Frelimo dedicará toda a sua energia para combater de forma vigorosíssima todas as formas de corrupção e todos os comportamentos desviantes em relação àquilo que são os valores apregoados pelo partido e igualmente pela sociedade”, referiu Guiliche.
Segundo o porta-voz do Sernic, estão detidos a administradora do distrito de Xai-Xai, o diretor do gabinete da governadora de Gaza e o fiel de armazém, encontrados a fazer o carregamento dos produtos fora da hora estabelecida.
“Apurou-se ainda que parte dos produtos subtraídos eram escondidos nas suas residências, locais onde foram apreendidas grandes quantidades de produtos”, disse Mucambe, explicando que os bens são avaliados em cerca de 300 mil meticais (cerca de 4.000 euros).
Entre os produtos apreendidos, destacam-se 41 fardos de roupa usada, 63 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 quilogramas, três caixas de dois litros de óleo vegetal, dois sacos de 50 quilogramas de feijão-manteiga, nove embalagens de açúcar e um número não especificado de colchões.
O Sernic suspeita que existam mais funcionários públicos envolvidos no esquema de desvio de produtos e diz que decorrem ainda investigações, enquanto os já detidos serão submetidos ao juiz de instrução criminal.
Segundo o INGD, as cheias de janeiro mataram 27 pessoas e afetaram outras 724.131, sendo a província de Gaza a mais devastada.
O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 240, com registo de mais de 868 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita pelo instituto de gestão de desastres.
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