MNE sírio defende projeto de novo corredor estratégico na região

Ancara, 06 ago 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria discutiu hoje com o homólogo turco o reatamento da Iniciativa Quatro Mares, defendendo o potencial do seu país como centro energético da região entre o golfo Pérsico, o Cáucaso e o Mediterrâneo.

Asaad al-Shaibani disse, em conferência de imprensa, que abordou com o ministro turco, Hakan Fidan, “a necessidade de acelerar a criação do Comité dos Quatro Mares”, para impulsionar um corredor estratégico entre o golfo Pérsico, o Mediterrâneo, o mar Negro e o mar Cáspio, que foi promovido pela Turquia em 2009.

Segundo especialistas e analistas, este projeto aumentaria a soberania energética da Europa, reduzindo a sua dependência da Rússia e do golfo Pérsico, e reforçaria a sua influência no comércio global.

Embora o desenvolvimento desta visão, com novos oleodutos entre o Iraque, a Síria e a Turquia, possa reduzir a importância do estreito de Ormuz, al-Shaibani realçou que a estabilidade dos países árabes do Golfo “é um pilar fundamental da segurança regional”.

Ao mesmo tempo, condenou os ataques que os países da região sofreram durante a guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Como consequência imediata do conflito, o Irão colocou sob bloqueio militar o estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% dos bens petrolíferos mundiais, fazendo disparar os preços internacionais, enquanto os países produtores têm procurado rotas alternativas.

Asaad al-Shaibani afirmou também que “a história e a geografia ditam que a Síria seja o nó mais curto e eficiente” no mapa do comércio mundial.

“Estamos empenhados em implementar o projeto ferroviário que liga a Síria, a Turquia, a Arábia Saudita e a Jordânia”, indicou ainda.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia saudou pelo seu lado “a possibilidade de um regresso às negociações entre os Estados Unidos e o Irão”, depois de Teerão e Omã terem anunciado na quarta-feira que chegaram a um acordo para garantir a segurança do tráfego marítimo no estreito de Ormuz.

“Esperamos que o cessar-fogo seja restabelecido e o estreito de Ormuz reaberto. Continuaremos a contribuir para estes esforços”, disse o chefe da diplomacia da Turquia, que tem sido um dos países envolvidos nos esforços de diálogo para cessar o conflito no Médio Oriente.

Hakan Fidan descreveu os “ataques israelitas contra a soberania e a integridade territorial” como a maior ameaça à estabilidade da Síria e apelou à comunidade internacional para que “se oponha à mentalidade de ocupação de Israel”.

Durante a operação militar de uma coligação de rebeldes que derrubou em dezembro de 2024 o regime do anterior Presidente sírio, Bashar al-Assad, Israel realizou centenas de bombardeamentos no país vizinho e ocupou posições no sul do território, que ainda mantém.

As novas autoridades de Damasco, que emergiram dos antigos grupos rebeldes de inspiração islamita, têm procurado normalizar as relações com os Estados da região e acabar com as sanções internacionais que pendiam sobre o regime de al-Assad durante a guerra civil que, ao longo de mais de uma década, destruiu grande parte do país.

Asaad al-Shaibani disse hoje que Damasco continua os seus esforços diplomáticos para travar os ataques israelitas no sul da Síria, mas apontou as “milícias armadas que operam fora do Estado” nas fronteiras do país como principal ameaça, numa alusão ao grupo xiita Hezbollah, aliado do Irão.

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