
Lisboa, 28 dez (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros português rejeitou hoje a acusação de sabotagem à venda de carne de porco à Venezuela, frisando que Portugal é uma economia de mercado em que o governo não interfere nas relações entre empresas.
“O Governo português não exporta pernil de porco, nem para a Venezuela, nem para nenhum paÃs do mundo”, disse Augusto Santos Silva à imprensa à margem do 6.º Fórum de Graduados Portugueses no Estrangeiro, em Lisboa.
“Portugal é uma economia de mercado, o governo não participa nas exportações que as empresas portuguesas contratam com empresas estrangeiras e, portanto, não há lugar a nenhuma espécie de interferência polÃtica, muito menos a qualquer intento de sabotagem do governo português”, insistiu.
O ministro disse estar ainda a recolher informações sobre o caso, admitindo ter havido “um problema comercial”, mas disse dispor já de dados que apontam para que a carne tenha sido de facto exportada tendo falhado possivelmente a sua distribuição na Venezuela.
“No momento, a informação de que disponho é que de facto há contratos de fornecimento de carne de porco portuguesa para a Venezuela. Da parte de empresas portuguesas, esses fornecimentos foram feitos, estão contratualizados e, portanto, a questão de saber se a carne de porco foi distribuÃda ou não na Venezuela diz respeito à s autoridades venezuelanas”, afirmou.
Santos Silva afastou a possibilidade de chamar o embaixador venezuelano em Lisboa para esclarecimentos, repetindo que a questão não é polÃtica.
“Tenho informação bastante para dizer que não há aqui qualquer questão polÃtica, qualquer questão polÃtico diplomática, muito menos qualquer boicote ou sabotagem da parte das autoridades portuguesas”, assegurou.
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou Portugal de sabotar a importação para a Venezuela de pernil de porco, refeição tradicional do Natal venezuelano.
Segundo Maduro, a Venezuela fez um plano de importação e acertou os pagamentos, mas “os barcos” que transportavam o pernil “foram perseguidos e sabotados” e as contas bancárias que iriam ser utilizadas para efetuar os pagamentos bloqueadas.
MDR (AJO) // PJA
Lusa/Fim



