
Katmandu, 29 ago 2026 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Nepal alertou hoje para a crescente ameaça das alterações climáticas nos Himalaias, na sequência das inundações devastadoras que causaram centenas de mortos, e considerou que o país é “uma das principais vítimas”.
“O Nepal emite menos de 0,01% dos gases com efeito de estufa, mas nós, o povo nepalês, estamos entre as principais vítimas das alterações climáticas”, criticou Shisir Khanal, acrescentando: “Apelamos, portanto, à comunidade internacional para que se una com vista a preservar o ecossistema dos Himalaias”.
O Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos (USGS) indicou que a catástrofe ocorrida na quarta-feira perto da fronteira de alta altitude entre a China e o Nepal foi provocada pelo colapso de um glaciar, o que provocou uma enxurrada de detritos, a jusante.
Os glaciares dos Himalaias, fonte de água vital para cerca de dois mil milhões de pessoas, estão a derreter mais rapidamente devido ao aquecimento global, expondo as populações a catástrofes, e desestabilizando também as encostas montanhosas, o que aumenta os riscos de novos deslizamentos de terra e outros perigos.
O ministro nepalês acrescentou ter conversado por telefone com o seu homólogo chinês, Wang Yi, e ter acordado reforçar a partilha de “dados hidrológicos em tempo real”, de acordo com um comunicado citado pela agência espanhola de notícias EFE.
Num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi afirmou que Pequim tinha “partilhado informações cruciais com o Nepal, nomeadamente imagens da zona afetada, dados de satélite e hidrológicos, bem como alertas precoces relativos aos lagos de barragem a montante”.
Milhares de militares, polícias e elementos da Polícia Armada continuam mobilizados nas operações de busca e salvamento, com recurso a helicópteros para chegar a zonas onde os acessos terrestres permanecem interrompidos.
As equipas continuam também a recuperar corpos arrastados pelas águas e a procurar as cerca de três mil pessoas dadas como desaparecidas, numa altura em que os resgates com vida são cada vez menos frequentes.
O Nepal anunciou hoje que registou 675 mortos na enxurrada devastadora ocorrida na quarta-feira no norte do país. Os números foram atualizados pela autoridade nepalesa responsável pela gestão de emergências, citada pela agência francesa AFP.
A China divulgou um balanço provisório de sete mortos no Tibete, o que eleva o número total de vítimas mortais para 683.
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