
Teerão, 01 jul 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano recomendou hoje aos Estados Unidos que controlem os seus “animais de estimação em Telavive”, ou Teerão “irá dar-lhe uma lição”.
Numa mensagem na rede social X, Abbas Araghchi usou metaforicamente esta imagem para alertar que os termos do memorando de entendimento assinado com Washington em 17 de junho “são cristalinos e públicos, acessÃveis a todos”.
Ao abrigo deste acordo preliminar, que suspendeu as hostilidades na guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados unidos e Israel contra a República Islâmica, o chefe da diplomacia de Teerão afirmou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, se comprometeu “a açaimar os seus animais de estimação em Telavive”, acrescentando que, se Israel “ignorar o seu dono, o Irão vai dar-lhe uma lição”.
Qualquer ameaça contra o povo e liderança iraniana “receberá uma resposta imediata e contundente”, ameaçou Araghchi em resposta a declarações do ministro da Defesa israelita, nas quais avisou que o lÃder supremo da República Islâmica, Mojtaba Khamenei, está marcado para morrer e que não precisa de autorização de Washington para o fazer.
Israel Katz descreveu os iranianos como “bons negociadores”, mas reiterou que Israel não permitirá que desenvolvam armas nucleares, sugerindo que o seu paÃs pode retomar as hostilidades a qualquer momento se as conversações falharem.
Hoje, reafirmou também que as forças israelitas permanecerão “por tempo indeterminado” no LÃbano, paÃs abrangido pela trégua acordada por Washington e Teerão, e também no sul da SÃria e na Faixa de Gaza.
As declarações dos dirigentes de Israel e do Irão surgem no dia em que delegações de Washington e Teerão estiveram presentes em Doha para avaliar a implementação do memorando.
Segundo as autoridades de Doha, o emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, reuniu-se com os enviados norte-americanos, Jared Kushner e Steve Witkoff, para discutir “o progresso das negociações” entre os Estados Unidos e o Irão.
Al-Thani confirmou o seu apoio a “todas as vias de diálogo decorrentes do memorando de entendimento, com o objetivo de alcançar uma solução abrangente e sustentável que reforce a segurança regional e promova a paz e a segurança internacionais”, segundo um comunicado divulgado pelo Qatar.
Por sua vez, os enviados norte-americanos afirmaram que pretendem “continuar o processo de negociação e intensificar os esforços diplomáticos para alcançar um acordo abrangente”, de acordo com a versão fornecida por Doha.
Estes contactos ocorreram no mesmo dia em que o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Garibabadi, se reuniu na capital qatari com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar.
Após o encontro, foi realizada uma nova reunião, desta vez com a participação do Paquistão, segundo a agência noticiosa oficial iraniana IRNA.
O Presidente norte-americano afirmou pelo seu lado que as negociações com o Irão estão a progredir bem e que há avanços no sentido da “desnuclearização” da República Islâmica, embora tenha evitado mais detalhes sobre as negociações indiretas realizadas em Doha.
O cessar-fogo em vigor foi um resultado imediato de um memorando de entendimento assinado em 17 de junho pelos Estados Unidos e Irão, a que se segue um perÃodo de 60 dias para as partes alcançarem um acordo de paz definitivo.
As negociações estão centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.
O diálogo foi ameaçado nos últimos dias por ataques de ambos os lados, bem como pela continuação da ofensiva de Israel no LÃbano contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão.
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