MNE do Brasil e Irão falam de “perspetivas para uma saída negociada” da guerra

Brasília, 26 mar 2026 (Lusa) — Os chefes da diplomacia do Brasil e do Irão discutiram hoje “perspetivas para uma saída negociada” da guerra no Médio Oriente, numa conversa telefónica em que analisaram impactos do conflito, revelou o Governo brasileiro.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil referiu, em comunicado, que os ministros Mauro Vieira e Abbas Araghchi “trataram do atual estágio da guerra no Irão, da situação regional no Oriente Médio, dos múltiplos impactos globais do conflito e das perspetivas para uma saída negociada”.

Mauro Vieira, que se encontra em Paris, a participar da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, “prestou solidariedade pelas vítimas dos ataques militares ao Irão”, frisou a diplomacia brasileira, numa curta nota divulgada nas redes sociais.

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, tem-se mostrado crítico em relação aos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel sobre o Irão (membro dos BRICS tal como o Brasil), que respondeu com ataques a interesses destes países em estados do Golfo Pérsico onde têm bases militares.

O chefe de Estado brasileiro tem apelidado esta guerra de “uma irresponsabilidade”.

“Vocês ?já se deram conta que os tiros que o ?Trump (Presidente dos Estados Unidos) deu no Irão estão fazendo o óleo diesel (combustíveis) aumentar no mundo inteiro”, criticou na semana passada Lula da Silva, que recentemente apelidou o seu homólogo norte-americano de “xerife do mundo”.

Hoje, o Presidente norte-americano afirmou que o Irão “está a implorar por um acordo”, que também disse querer, a poucas horas do fim de um ultimato que a Teerão para permitir o comércio através do estreito de Ormuz sob pena de ataques às infraestruturas energéticas iranianas.

Numa reunião da administração, e em plena fase de conversações para um acordo de paz, Donald Trump afirmou que pretende “esclarecer as coisas”: “são eles [iranianos] que estão a implorar para chegar a um acordo, não eu”.

As autoridades iranianas já negaram estarem a negociar com Washington, quando a guerra, desencadeada a 28 de fevereiro por Israel e Estados Unidos, entra na quarta semana. 

 

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