Missão militar da UE capacitou cerca de 2.000 soldados moçambicanos em dois anos

Maputo, 02 set 2026 (Lusa) – A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM-MOZ), liderada por Portugal, capacitou, em dois anos, cerca de 2.000 militares moçambicanos em áreas que incluem cooperação civil-militar, contraterrorismo e comunicações, foi hoje anunciado.

“Em dois anos, foram realizados mais de 70 programas, envolvendo aproximadamente 2.000 militares moçambicanos em áreas como liderança, logística, assessoria jurídica e de género, cooperação civil-militar, saúde e engenharia militar, contraterrorismo e comunicações”, refere uma nota da missão.

Ao assinalar o segundo aniversário da sua criação, a EUMAM-MOZ recorda que tem trabalhado em estreita colaboração com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), apoiando a sustentabilidade das Forças de Reação Rápida (QRF, na sigla em inglês) formadas pela anterior Missão de Treino da União Europeia em Moçambique (EUTM-MOZ), também liderada por Portugal (2022 a 2024), e reforçando a sua capacidade operacional ao longo do ciclo de prontidão e emprego.

As atividades realizadas com as tropas moçambicanas nos últimos dois anos incluíram ainda ações de formação, mentoria e assessoria adaptadas às necessidades identificadas nos diferentes níveis das FADM, acrescenta-se no documento.

No último ano, a missão assinala ter concentrado esforços no acompanhamento das FADM nas várias fases do ciclo operacional das QRF, preparação, emprego e regeneração, com particular atenção às forças militares que atuam em Cabo Delgado. Aquela província moçambicana rica em gás enfrenta uma insurgência armada desde 2017, que já causou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo dados de agências no terreno.

“Através de mentoria, assessoria e treino especializado, foram reforçados procedimentos e práticas nos diferentes níveis de comando, contribuindo para a manutenção da prontidão operacional e para o reforço das capacidades das FADM para cumprir e sustentar as suas responsabilidades no terreno”, explica a missão.

O Conselho da União Europeia prorrogou, em maio último, o mandato da EUMAM-MOZ por mais seis meses, até 31 de dezembro de 2026.

A EUMAM-MOZ é uma missão não executiva que presta assistência às FADM no desenvolvimento e reforço das suas capacidades, procurando assegurar que consigam implementar e sustentar o ciclo operacional das unidades anteriormente formadas pela União Europeia.

De acordo com o documento, o trabalho desenvolvido pela EUMAM-MOZ nos últimos dois anos tem contribuído para o reforço das capacidades militares das forças armadas moçambicanas e para uma maior autonomia das Forças de Reação Rápida na condução das suas ações ao longo do ciclo operacional.

“A missão continuará a trabalhar em estreita coordenação com as autoridades moçambicanas, com o objetivo de preservar os progressos alcançados, reforçar as capacidades desenvolvidas e contribuir para a continuidade da parceria entre a União Europeia e Moçambique no domínio da segurança e defesa”, conclui.

Moçambique pretende a extensão por dois anos desta missão militar da União Europeia, disse à Lusa, em julho, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, agradecendo o apoio europeu e destacando o papel de Portugal no processo.

“Terminámos a fase do apoio, no primeiro acordo, e agora estamos numa fase de negociação para a extensão, pelo menos por mais de dois anos, porque achamos que é extremamente importante”, afirmou o chefe de Estado moçambicano.

As missões foram desenvolvidas ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, que ainda financiou com 89 milhões de euros a compra de equipamento não letal e o apoio logístico para equipar 11 companhias de Reação Rápida das Forças Armadas treinadas pela EUTM-MOZ.

Segundo o Presidente moçambicano, a cooperação entre os dois países neste setor “é tradicional”, e agradeceu igualmente o apoio prestado pela UE e por Portugal desde o início da insurgência armada em Cabo Delgado, em 2017.

LCE (PVJ) // VM

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