Ministros radicais de Israel defendem intensificação da guerra no Libano

Jerusalém, Israel, 25 mai 2026 (Lusa) – Dois ministros de extrema-direita do Governo israelita defenderam hoje a intensificação da guerra no Líbano, numa fase em que os Estados Unidos procuram finalizar um acordo de paz entre Israel e as autoridades de Beirute.

Em comunicado, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, instou o chefe do Governo, Benjamin Netanyahu, a retomar “uma guerra em grande escala” contra o Líbano, além de cortar o fornecimento de eletricidade no país vizinho.

“É tempo de o primeiro-ministro bater na mesa de [Presidente norte-americano, Donald] Trump e informá-lo de que estamos a regressar à guerra no Líbano”, sustentou Ben-Gvir poucos dias depois de ter gerado condenação internacional ao humilhar publicamente dezenas de ativistas, detidos quando uma flotilha internacional se dirigia para a Faixa de Gaza.

O ministro das Finanças, o ultrarradical nacionalista Bezalel Smotrich, outra figura de relevo da extrema-direita israelita, afirmou pelo seu lado que, por cada drone disparado pelo grupo xiita libanês Hezbollah contra Israel, “deverão cair dez edifícios em Beirute”.

Em comunicado, Smotrich referiu que aprovou um orçamento de aproxima cerca de dois mil milhões de shekels (quase 600 milhões de euros) para desenvolver “soluções tecnológicas” para combater a ameaça dos drones das milícias libanesas apoiadas pelo Irão.

Israel e o Líbano acordaram no mês passado um cessar-fogo que não é reconhecido pelo Hezbollah, enquanto prosseguem as negociações de paz entre os dois países, patrocinadas pelos Estados Unidos e igualmente contestadas pelo grupo xiita.

Apesar da trégua, Israel e Hezbollah prosseguem ataques aéreos e confrontos terrestres no sul do Líbano, parcialmente ocupado pelas tropas israelitas.

“Não devemos normalizar a realidade dos drones explosivos”, advertiu Ben-Gvir, depois de o exército israelita ter confirmado que um engenho atingiu hoje a localidade de Metula, no norte de Israel.

Além do corte de eletricidade no Líbano, à semelhança do que aconteceu na guerra na Faixa de Gaza, o ministro extremista considerou que as tropas israelitas devem prosseguir a invasão no país vizinho e ocupar o território libanês até ao rio Zahrani, situado a cerca de 40 quilómetros a norte da fronteira.

Atualmente, Israel ocupa posições até ao rio Litani, numa faixa de cerca de dez quilómetros a partir da separação entre os dois países.

Também o líder da oposição israelita, Yair Lapid, colocou pressão sobre Netanyahu ao considerar ser “inaceitável que os soldados e civis israelitas (…) continuem debaixo de fogo” no Líbano

“Ou há um cessar-fogo, ou responderemos com força desproporcional a cada ataque contra nós”, defendeu em declarações aos jornalistas, num momento em que a política interna de Israel se agita face à aproximação de eleições, previstas para outubro, mas que podem ocorrer mais cedo se o parlamento aprovar iniciativas atualmente em apreciação para antecipar o escrutínio.

No domingo, o primeiro-ministro israelita afirmou, depois de uma chamada telefónica com o Presidente norte-americano, que Donald Trump lhe transmitiu o direito de Israel a defender-se dos ataques do Hezbollah, uma posição já reiterada pelo chefe da diplomacia de Washington.

“Se o Hezbollah estiver a preparar-se para lançar mísseis ou lançar mísseis contra eles, Israel tem o direito de retaliar”, disse Marco Rubio à imprensa em Nova Deli, onde se encontra de visita, referindo-se aos termos já inscritos na trégua em vigor desde o mês passado.

As negociações de paz no Líbano estão ligadas às conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra República Islâmica.

Depois de Trump ter anunciado um acordo próximo com o Irão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Teerão, Esmail Baghai afastou um entendimento iminente e reiterou que um eventual compromisso dever envolver todo o Médio Oriente, incluindo o Líbano.

O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, mais de 3.100 pessoas foram mortas e quase dez mil ficaram feridas, disse o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão. 

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