
Paris, 24 abr 2026 (Lusa) – Os ministros do Ambiente do G7 saudaram os progressos alcançados hoje em Paris relativamente aos oceanos e à biodiversidade, embora tenham tido que abdicar da discussão sobre mudanças climáticas, sob pressão dos Estados Unidos.
“No contexto dos atuais desafios ao multilateralismo ambiental, consideramos estes resultados excecionais”, declarou a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, citada pela agência AFP, ao final de dois dias de discussões com seus homólogos do G7 (Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos), bem como com outros países convidados.
Durante os dois dias de trabalhos, foram adotadas seis declarações conjuntas sobre os temas de segurança e meio ambiente, biodiversidade, oceanos, água e saúde ambiental, assim como setor imobiliário e desastres naturais, além de uma declaração única que sintetiza todas elas.
Apesar de tudo, “o G7 não é um fracasso total na questão climática”, segundo a ministra do Ambiente canadiana, Julie Dabrusin.
“Quando falamos em proteger a natureza, também significa tomar medidas contra as mudanças climáticas. Quando falamos sobre como vamos proteger os oceanos, também falamos sobre os impactos das mudanças climáticas sobre os oceanos”, declarou a ministra numa entrevista à AFP.
A prioridade da França tem sido “preservar a unidade do G7, porque este organismo deve permanecer um espaço de diálogo, independentemente das mudanças políticas”, enfatizou Monique Barbut durante uma conferência de imprensa no seu ministério, sem fazer qualquer menção direta aos Estados Unidos.
“Isso levou-nos a concentrar as discussões em prioridades com maior probabilidade de gerar consenso. E a mudança climática, como abordada diretamente, não é uma delas”, reconheceu.
O retorno de Donald Trump, um assumido cético em relação às mudanças climáticas, à Casa Branca no início de 2025 foi seguido por uma série de retrocessos na proteção climática, desde sua retirada do Acordo de Paris até o desmantelamento de inúmeras políticas ambientais na maior economia do mundo.
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