
Sintra, 15 mai 2023 (Lusa) — O ministro da Saúde disse hoje confiar no diálogo entre a Direção-Geral de Saúde e a Ordem dos Médicos e que dele saia uma orientação técnica clara sobre os cuidados de saúde durante o parto.
“Não convém que as decisões polÃticas sejam tomadas à margem da decisão técnica. Eu tenho o meu papel nesta matéria, entendo eu, que é facilitar o diálogo entre os que têm responsabilidades, neste caso, facilitar o diálogo entre a Direção-Geral de Saúde (DGS) e a Ordem dos Médicos (OM) e, confio, que desse diálogo sairá uma orientação técnica clara”, sublinhou.
Manuel Pizarro falava aos jornalistas após uma visita à s obras de construção do futuro Hospital de Sintra, no bairro da Cavaleira, freguesia de Algueirão – Mem Martins, sobre uma orientação da DGS que prevê que o internamento hospitalar nos partos de baixo risco possa ser feito “por um médico de obstetrÃcia e ginecologia ou por um enfermeiro especialista em enfermagem de saúde materna e obstétrica (EEESMO)”.
Esta orientação da DGS, conhecida na sexta-feira, foi contestada pela OM, que pediu a sua “a revogação imediata” por não refletir as propostas que apresentou.
Questionado hoje sobre a polémica, o ministro da Saúde, afirmou hoje que o Governo tem como posição “aceitar a orientação técnica” dos organismos.
O responsável sublinhou a importância de a Ordem dos Médicos, “que se tem queixado do processo, estabelecer um diálogo com a Direção-Geral de Saúde sobre as questões de substância, de conteúdo, [sobre] o que é que, do ponto de vista técnico, devia ser corrigido”.
Manuel Pizarro rejeitou que a orientação da DGS vise fazer face à s dificuldades que possam vir a surgir no verão, com falhas nas escalas de urgência de obstetrÃcia e ginecologia por falta de médicos.
“Não me parece que seja nada desses aspetos organizativos que está em causa. Acho que, se eu percebi os argumentos a favor desta orientação, o essencial é que se está a traduzir numa orientação técnica aquilo que já é realidade em muitas salas de partos, onde as enfermeiras, que são pessoas especializadas e com ampla formação, têm a seu cargo os partos mais simples, que envolvem menos riscos, e isso não dispensa a presença de um medico para todas as circunstâncias”, afirmou.
Segundo a DGS, as orientações sobre partos foram propostas pela Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia e ObstetrÃcia e Bloco de Partos com o objetivo de uniformizar os cuidados de saúde hospitalares durante o trabalho de parto e de clarificar o papel dos vários profissionais de saúde.
A Ordem dos Médicos anunciou sábado que vai requerer “a revogação imediata” da orientação da Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre partos, que não reflete as propostas que apresentou e cuja versão final não lhe foi enviada.
No texto, a Ordem dos Médicos (OM) esclareceu que, embora tenha aceitado “participar ativamente na Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/ObstetrÃcia e Blocos de Parto com a apresentação de propostas” para a “melhoria das respostas em saúde para as mães e crianças”, as opiniões técnicas dos médicos seus representantes não foram consideradas e não constam do documento publicado.
Entretanto, a Direção-Geral da Saúde (DGS) esclareceu que cinco representantes da Ordem dos Médicos (OM) acompanharam “desde o inÃcio ao fim dos trabalhos” a criação da orientação para os cuidados de saúde durante o parto e validaram o documento.
RCP (ANC/SPC/PC) // FPA
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