
Maputo, 22 out 2025 (Lusa) – O ministro do Interior moçambicano, Paulo Chachine, confirmou hoje que um agente da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da PolÃcia da República de Moçambique morreu numa emboscada, terça-feira, na provÃncia de Cabo Delgado.
“É um apenas. Houve de facto uma vÃtima, um colega nosso. CaÃram numa emboscada e um pereceu, faleceu”, disse o ministro, questionado pelos jornalistas, em Maputo, à margem da cerimónia de posse de comandantes provinciais da polÃcia, negando que haja mais vÃtimas mortais neste ataque.
A emboscada, alegadamente realizada por um grupo de insurgentes, no troço entre Chitunda e Xitaxi, distrito de Muidumbe, aconteceu cerca das 09:00 (08:00 de Lisboa), quando a UIR assegurava a escolta dos automobilistas que faziam o trajeto Awasse, MocÃmboa da Praia a Macomia, centro de Cabo Delgado.
Uma fonte local disse hoje à Lusa que tinham morrido quatro agentes da UIR neste incidente, enquanto o investigador Peter Bofin, do centro ACLED, que monitoriza conflitos, citado pela AFP, apontou o registo de “pelo menos dois mortos” entre elementos daquela força policial na emboscada.
Estas escoltas naquela estrada foram retomadas em julho, a pedido das populações locais e empresários, após o recrudescimento dos ataques terroristas na zona.
A provÃncia de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de MocÃmboa da Praia.
A ONU estimou na terça-feira que pelo menos 44 pessoas morreram e outras 208 mil foram afetadas no mês de agosto pelos ataques de grupos extremistas em Cabo Delgado, provÃncia moçambicana que enfrenta uma insurgência armada há oito anos.
De acordo com um relatório de campo do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), até agosto, Moçambique também reportou um total de 111.393 pessoas deslocadas, a maioria provenientes de Cabo Delgado (109.118), apesar de terem sido registadas movimentações de pessoas nas provÃncias de Niassa e Nampula.
“Os civis continuam a enfrentar graves riscos de segurança e proteção, incluindo raptos, pilhagens e ameaças”, refere-se no documento, acrescentando-se que estes incidentes, em agosto, “resultaram em 44 mortos e 101 raptados, entre eles seis crianças e cinco mulheres”.
Acresce que a insegurança, combinada com reduções “significativas” no financiamento humanitário, limitou “severamente” a capacidade dos parceiros para alcançar as populações afetadas.
“A violência contra civis, as operações militares, os avistamentos dos grupos armados não estatais e os rumores de raptos e pedidos de resgate tornaram o acesso imprevisÃvel nos distritos com maior gravidade de necessidades e incidentes”, descreve-se, acrescentando-se no relatório que a situação resultou na suspensão temporária das missões humanitárias nas zonas rurais dos distritos de Macomia, Quissanga, Muidumbe, MocÃmboa da Praia, Meluco e Metuge no inÃcio de agosto.
De acordo com o OCHA, em agosto o financiamento para as organizações no terreno era metade do que estava disponÃvel no mesmo perÃodo do ano passado, reduzindo a presença humanitária e limitando a capacidade dos parceiros de se adaptarem a um contexto operacional dinâmico ou de alargarem as respostas à s necessidades emergentes das cerca de 208 mil pessoas afetadas pelo conflito.
Quase 93 mil pessoas fugiram de Cabo Delgado e Nampula desde finais de setembro devido ao recrudescimento dos ataques no norte de Moçambique, duplicando o número de deslocados em poucos dias, segundo anteriores dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, considerou, em 06 de outubro, como “atos bárbaros” e contra a “dignidade humana” os ataques que se registam em Cabo Delgado.
O Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) contabiliza 6.257 mortos ao fim de oito anos de ataques em Cabo Delgado, alertando para a instabilidade atual.
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