
Istambul, Turquia, 28 jan 2026 (Lusa) — O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, visitou hoje a empresa turca Baykar, especialista na produção de drones, em busca de “boas práticas”, realçando a importância económica de Portugal ser produtor e exportador de material militar.
“Estamos a olhar para uma empresa que fez este caminho em perto de 20 anos, desde drones muito pequenos e experimentais, até ao que aqui se vê, que é tecnologia de ponta do melhor que se faz no mundo. Nós, em Portugal, vamos seguir também esse caminho à nossa escala, mas é vendo os bons exemplos e as boas práticas, que também melhor conseguimos identificar os nossos objetivos em relação ao futuro”, defendeu Nuno Melo, após uma visita à s instalações da empresa turca Baykar Techonology, em Istambul, na Turquia.
De visita ao paÃs para explorar oportunidades de negócio e possÃveis parcerias, Nuno Melo passou a manhã nesta empresa turca especializada no desenvolvimento e produção de veÃculos aéreos não tripulados (vulgarmente conhecidos por drones), usados em teatros de operações como na Ucrânia, além de estar envolvida no setor aeroespacial e na produção de satélites.
O governante salientou que os drones “são o presente e o futuro”, numa altura em que Portugal também está a apostar na produção desta tecnologia e lidera um projeto nesta área no âmbito do SAFE, programa de empréstimos europeus para a Defesa.
Melo sublinhou a importância de Portugal deixar de ser apenas cliente e ser também produtor e exportador no universo das indústrias de Defesa, realçando as vantagens económicas e também sociais que o desenvolvimento de empresas neste setor traz para o paÃs, como a criação de postos de trabalho e fixação de cidadãos no interior (em Beja, Portugal vai produzir aeronaves Supertucano, por exemplo).
O governante fez questão de realçar que esta é uma empresa “totalmente privada” na qual a média de idades ronda os 29 anos, salientando que é um exemplo do tipo de investimento que “ajuda a captar emprego qualificado e bem pago”.
Interrogado sobre se foi em busca de equipamentos para o futuro porta-drones português D. João II, que está a ser produzido na Roménia, Nuno Melo afirmou que o objetivo da visita não foi o de fechar “aquisições em concreto”, mas o de “trocar experiências”.
Melo salientou o duplo uso que este tipo de veÃculos não tripulados pode ter, uma vez que, além da utilização militar, os drones podem ser úteis em ações de busca e salvamento, de vigilância, ou de transporte de equipamentos.Â
O ministro passou também pelas instalações da Nurol Makina, empresa dedicada à produção de veÃculos blindados táticos 4×4 e camiões, destinados a missões militares, de segurança interna e de apoio logÃstico.
Interrogado sobre se está a apostar numa cooperação menos ideológica e mais funcional ao explorar oportunidades na Turquia, – paÃs que apesar de ser membro da NATO mantém laços com paÃses como a Rússia ou a China -o ministro respondeu que não se pode estar na Aliança Atlântica “e achar que os aliados são outra coisa qualquer”.
Realçando que a Turquia é um aliado “muito importante”, Melo lembrou que estão a ser construÃdos em estaleiros turcos dois navios reabastecedores para a Marinha portuguesa “de altÃssima qualidade”- que vai visitar na quinta-feira – e rejeitou perspetivas dogmáticas.
“Se a NATO tiver que entrar em combate, todos os aliados da NATO são importantes. A interoperabilidade dos equipamentos é necessária. E a qualidade desses equipamentos também”, acrescentou, insistindo na importância de Portugal ser produtor.
Depois de o candidato à Presidência da República António José Seguro, ter manifestado esta semana preocupação com os investimentos avultados na Defesa e pedido planos anti-corrupção, Nuno Melo disse só ver “motivos de tremendo orgulho”.
“Compreendemos que o sucesso que estamos a fazer na Defesa possa causar algum nervosismo aqui ou ali, mas nós só temos motivos de orgulho”, afirmou.
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*** A agência Lusa viajou a convite do Ministério da Defesa Nacional ***
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