
Bruxelas, 06 mar (Lusa) — O ministro da Defesa disse hoje não acreditar que o abandono de efetivos do Exército registado em 2017 esteja relacionado com as falhas que existiram durante os incêndios do verão.
“O ano passado foi uma situação demasiado excecional para a podermos considerar como padrão. Por isso, é evidente que não acredito que o abandono que é reportado se deva à circunstância de, aqui e ali, ter havido falhas de equipamento. Acredito, isso sim, que a uma situação excecional pode corresponder também uma reação excecional”, afirmou José Azeredo Lopes, à margem da reunião dos ministros da Defesa da União Europeia, que decorre em Bruxelas.
O ministro da Defesa comentava a notÃcia publicada hoje pelo Jornal de NotÃcias, segundo a qual cerca de 500 militares, contratados e voluntários, abandonaram o Exército no ano passado, mais de metade dos quais devido à sobrecarga horária exigida pelo combate aos fogos.
“O ano passado foi um ano terrÃvel e absolutamente excecional. Um ano que eu espero que não seja repetido nos tempos mais próximos e mais longÃnquos. Foi preciso, em certas circunstâncias, um nÃvel de empenhamento, até temporal, absolutamente excecional e, também por isso, quero aplaudir e dar os parabéns a quem, sem nunca se queixar, fez esse esforço em prol de uma missão pública que diz respeito a todos os cidadãos”, sublinhou.
Azeredo Lopes lembrou que, este ano, o Governo tem apostado “muitÃssimo em iniciar o combate aos fogos florestais, antecipando-o o mais possÃvel para chegar à altura em que eles se venham infelizmente a verificar em condições de maior preparação” e evitar que se repitam as falhas dos incêndios do verão.
“Não creio que seja possÃvel extrapolar em função do nÃvel de diminuição de efetivos apenas com base nos incêndios florestais. Estou a falar um pouco de cor, mas os números de que me dão conta falam de uma percentagem infinitamente mais baixa do que aquela que representa o número dos abandonos”, elucidou.
O ministro da Defesa referiu ainda que o Governo vai continuar a trabalhar para que “a carreira militar seja cada vez mais atrativa ou, pelo menos, que não tenha o potencial de perda que é sucessivamente verificado há longos anos”, através, por exemplo, da melhoria dos incentivos, que já está em circulação para aprovação em Conselho de Ministros, ou da previsão de contratos de duração mais alargada.
“Quando começarmos a ver os efeitos disso, veremos se sim ou não é possÃvel recuperar [o número de efetivos]. Estou convencido que primeiro é possÃvel estancar o número de abandonos e depois recuperar paulatinamente a capacidade”, concluiu.
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