
Maputo, 05 fev 2025 (Lusa) — O ministro da Defesa de Moçambique disse hoje que os protestos pós-eleitorais criaram um “sentimento de terror” em Moçambique, considerando que o paÃs viveu um “estado de caos”.
“As ações de rua que o paÃs viveu e o mundo testemunhou criaram um sentimento de terror. As famÃlias e as comunidades vivenciaram momentos infelizes, de receberem em direto notÃcias sobre a morte dos seus entes queridos por consequência do estado de caos imposto, na tentativa de reduzir a quase nada a autoridade do Estado”, disse Cristóvão Chume.
O ministro moçambicano falava durante a cerimónia de tomada de posse de João Carlos Pires para novo diretor do Centro de Análise Estratégica da Comunidade dos PaÃses de LÃngua Portuguesa (CAE/CPLP), em Maputo, capital de Moçambique.
Moçambique vive desde 21 de outubro um clima de forte agitação social, protestos, manifestações e paralisações, convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, com confrontos violentos entre a polÃcia e os manifestantes, que causaram pelo menos 327 mortos.
Segundo o ministro da Defesa moçambicano, as manifestações causaram prejuÃzos incalculáveis para Moçambique e outros paÃses da região, defendendo, por isso, reformas profundas na polÃtica de defesa e segurança para acompanhar a “evolução meteórica” da sociedade.
Para Cristóvão Chume, a violência registada desde outubro no paÃs pode abrir espaço, no futuro, para a “decapitação da unidade nacional” e a expansão do terrorismo no paÃs, que fustiga Cabo Delgado, provÃncia do norte de Moçambique, desde outubro de 2017.
“Nada do que vivemos estávamos preparados, enquanto sociedade e enquanto Estado. As Forças de Defesa e Segurança foram chamadas a responder a esta situação de quase ‘Estado de SÃtio’ imposta através das redes sociais, onde a afronta à lei, a impunidade, a queima da dignidade individual e coletiva era o dia-a-dia”, referiu o governante.
O responsável apelou ainda para que o CAE/CPLP estude a melhor forma de prevenir, conter e combater a “violência de rua e nas redes sociais” resultante de eventos polÃticos, considerando não se tratar de um cenário novo na comunidade.
“Hoje não restam dúvidas que estamos bastante expostos ao sufrágio popular. Contudo, não deve prevalecer o discurso de eu e eles quando se trata de segurança coletiva”, acrescentou Chume.
Pelo menos 327 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 750 pessoas foram baleadas durante os protestos em Moçambique, de acordo com a plataforma eleitoral Decide, organização não-governamental que acompanha os processos eleitorais.
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