
Porto, 07 dez 2023 (Lusa) — O ministro da Cultura espera que o próximo Governo retome a intenção de comprar a agência Lusa, processo que estava em curso e que não foi concluÃdo devido ao atual contexto polÃtico.
“É conhecido que, recentemente, o Estado estava em negociações para ficar com a quase totalidade do capital da agência Lusa e essas negociações não foram possÃveis, não foram concluÃdas por motivos polÃticos, tem a ver com o contexto polÃtico que vivemos”, disse Pedro Adão e Silva à entrada para o Conselho de Ministros que, hoje, se realiza na Câmara Municipal do Porto.
Depois de ter recebido um manifesto dos jornalistas do Jornal de NotÃcias (JN), diário que enfrenta um eventual despedimento coletivo, o governante explicou que a intenção do atual Governo era aumentar a indemnização compensatória da agência Lusa já em 2024 e, dessa forma, tornar o seu serviço gratuito para toda a comunicação social.
E acrescentou: “A agência Lusa pode ser um instrumento muito interessante e muito relevante para apoiar o jornalismo e a comunicação social”.
A capitalização da agência Lusa seria uma forma “mais eficaz e eficiente” de apoiar a comunicação social porque apoia todos, considerou Pedro Adão e Silva.
O que estava a ser preparado pelo Governo iria ter um grande impacto na comunicação social, nomeadamente na imprensa regional e local, sublinhou.
“Aquilo que estava a pensar já para o inÃcio de janeiro não foi possÃvel, como sabem vivemos um contexto polÃtico bastante atÃpico, e, por isso, há aqui um compasso de espera. O que eu espero é que o próximo Governo retome esta ideia da gratuitidade da agência Lusa”, frisou.
Na passada quinta-feira, o Governo anunciou que o processo de compra, pelo Estado, de 45,7% da agência Lusa, pertencentes à Global Media e à Páginas Civilizadas, falhou por “falta de um consenso polÃtico alargado”.
“No momento atual, não existindo um consenso polÃtico alargado, a operação revelou-se inviável”, adiantou o Ministério da Cultura num comunicado intitulado “Estado não adquire participações sociais na Lusa”.
Em quase quatro páginas, o Ministério da Cultura explicou todo o processo, desde agosto, com a “manifestação de interesse dos acionistas” da Global NotÃcias Media Group da Páginas Civilizadas em “alienar as participações sociais que detêm na Lusa”, altura em que o ministro da Cultura “mostrou abertura para iniciar uma negociação para que o Estado pudesse vir a assumir uma posição mais significativa na estrutura acionista” da agência.
Numa altura em que o Governo entra em gestão na sexta-feira, o ministro da Cultura assumiu que gostaria de ter feito “muito mais coisas” durante o meu mandato.
Mas, apesar de tudo, Pedro Adão e Silva recordou que na reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) incluiu 10 milhões de euros para digitalizar os arquivos das televisões, trabalhou na capitalização da RTP e estava a trabalhar na da agência Lusa.
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