Ministro apela aos cidadãos para se preparem para “lidar com a adversidade”

Leiria, 27 mar 2026 (Lusa) — O ministro da Educação apelou hoje em Leiria a que os cidadãos se preparem para enfrentarem as adversidades, embora tenha reconhecido que “nenhum país está preparado para uma coisa que nunca aconteceu”, referindo-se tempestades que atingiram o país.

Fernando Alexandre admitiu que é preciso “desenvolver competências para lidar com a adversidade”, quer se trate de um “incêndio, um sismo ou um cataclismo, como este [tempestade Kristin] que afetou esta região”.

“Temos de preparar individualmente cada cidadão e o Estado tem de preparar estruturas para isso. Mas, esta é a pior tempestade que há registo. Ou seja, não se prepara um país para uma tempestade que nunca existiu”, reforçou, na conferência organizada pelo jornal Região de Leiria sobre “O futuro pós-calamidade”.

Respondendo ao presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, que insistiu na necessidade de enterrar as linhas elétricas para evitar as falhas de energia, água e telecomunicações, Fernando Alexandre concordou, mas também lembrou que “foi a primeira vez que postes com aquela dimensão caíram”.

“E há uma lógica, porque quando se enterram cabos, é preciso dizer que há coisas que não vão ser feitas. É muito difícil explicar, muitas vezes, investimentos de longo prazo. Agora, imaginem fazer um grande investimento em enterrar todos os cabos, para fazer face a uma tempestade que nunca aconteceu”, observou.

O ministro admitiu que “não há dúvidas” de que é necessário “reforçar a resiliência da rede elétrica, da conectividade, das infraestruturas em geral”, mas tem de “haver um balanço” e “fazer tudo com muito conhecimento”.

Para o governante, se a mensagem não passar à população, o terreno para o populismo aumenta, pois “está, basicamente, preocupado com a satisfação das necessidades imediatas”.

Fernando Alexandre defendeu a importância de haver, cada vez mais “educação, conhecimento, tecnologia e inovação” para lidar com a “complexidade do mundo”, onde a incerteza é também cada vez maior.

Além de enumerar os eventos climáticos que a região centro tem enfrentado, o ministro abordou ainda o risco de pandemias e guerras, onde a “Europa já não é um lugar seguro como era antes da invasão da Ucrânia”.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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