
Sintra, Lisboa, 29 jul 2022 (Lusa) — A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, afirmou hoje que a NATO “não está a tentar expandir-se” porque são os paÃses que decidem candidatar-se, reforçando a necessidade de mostrar à sociedade civil a importância da Aliança Atlântica.
“Tem que se considerar que a NATO não está a tentar expandir-se. Às vezes há esta opinião que a NATO se está a expandir, eu gostava de sublinhar o facto de que têm que ser os paÃses eles próprios a decidir se querem juntar-se, e não é demais sublinhar que este tem sido o caso”, salientou.
Helena Carreiras respondia a uma pergunta colocada por um jovem na Academia da Força Aérea, concelho de Sintra, local onde a governante presidia à sessão de encerramento do 25º ‘Portuguese Atlantic Youth Seminar’ (PAYS), organizado pela Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico (AJPA).
Momentos antes, no seu discurso, a ministra da Defesa abordou a questão do processo de adesão à NATO da Suécia e Finlândia, reforçando que Portugal está “totalmente empenhado na rápida ratificação das formalidades necessárias para garantir que Estocolmo e HelsÃnquia se juntam à Aliança”.
“Quando este processo estiver terminado, vamos ter uma maior e mais forte Aliança para lidar melhor com a ameaça russa, assim como outros desafios que afetam a segurança da área euro-atlântica”, considerou.
A governante salientou ainda que os últimos meses “demonstraram como choques externos podem servir como multiplicadores de força para alianças a longo prazo” no entanto, a NATO não pode tomar estes momentos como garantidos ou “ficar demasiado dependente da sua sucessão”.
“Em vez disso, temos que estar conscientes da importância de lembrar à s nossas sociedades mais regularmente porque é que a NATO é importante e porque é que ainda tem, e vai continuar a ter, um papel vital na nossa segurança coletiva”, advogou.
Helena Carreiras vincou ainda que “o respeito pela lei internacional e a soberania dos estados tem que continuar a ser central na coexistência” da NATO como comunidade de nações.
“Podemos nem sempre partilhar as mesmas posições, e até ocasionalmente divergir nos nossos objetivos. Mas temos que ser guiados por uma estrutura previsÃvel que providencie garantias mÃnimas de estabilidade. É por isso que a guerra na Ucrânia atualmente surge como o principal catalisador para tensões globais, depois de uma invasão ilegal e não provocada da Rússia, lançada a 24 de fevereiro”, disse.
Fazendo referência a algumas das crÃticas lançadas à NATO antes da guerra na Ucrânia — nomeadamente à opinião do presidente francês Emmanuel Macron, em 2019, sobre a Aliança estar em “morte cerebral” — Helena Carreiras apontou como exemplo que contraria essa ideia a Agenda NATO 2030, aprovada ainda em 2021, antes do inÃcio do conflito.
“Mas se dúvidas houvesse sobre a capacidade de resposta e rápida adaptação das estruturas e forças da NATO, a recente Cimeira em Madrid no final de junho ajudou a dissipá-las”, afirmou.
Para Helena Carreiras, “os sinais que saÃram de Madrid foram muito claros quanto à firme coesão e unidade na Aliança Atlântica e no efeito transformativo” desejado pelos aliados para a próxima década, traduzido no novo Conceito Estratégico.
A Assembleia da República deverá ratificar a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO em setembro, após as propostas de resolução do Governo sobre a matéria terem dado entrada no parlamento na semana passada.
Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, a Suécia e a Finlândia — dois paÃses tradicionalmente neutros — entregaram um pedido de adesão à NATO em 28 de maio.
Após a resistência inicial da Turquia, os chefes de Estado e de Governo da NATO, reunidos em cimeira em Madrid, convidaram oficialmente, em 29 de junho, a Suécia e a Finlândia a tornarem-se membros da Aliança.
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